divagares

Março 07 2010

O Dia Mundial da Mulher comemora 100 anos - aprovado em 1910, por proposta da alemâ Clara Zetkin, na 2ª. Conferência Mundial de Mulheres realizada em Copenhaga e desde então esta data sempre tem constituído uma jornada de luta pela defesa dos direitos e da dignidade da Mulher.

Presto aqui homenagem a todas as Mulheres, recordando algumas das que se destacaram no seu tempo.

(

(Catarina Eufémia, Clara Zetkin, Dolores Ibarruri, Eulália Mendes, Irene Curie, Maria Alda Nogueira, Maria Lamas, Maria Machado, Rosa Luxemburgo, Rosa Parks, Virginía Moura)

publicado por divagares às 23:09

Março 05 2010


 


Eu tinha fome


e vós fundastes um clube humanitário


para discutirdes sobre a minha fome.


 


Agradeço-vos!


 


Eu estava na prisão


e vós correstes à igreja


a rezar pela minha libertação.


 


Agradeço-vos!


 


Eu estava nu


e vós examinastes seriamente


as consequências morais da minha nudez.


 


Eu estava doente


e vós ajoelhastes-vos a agradecer ao Senhor


o dom da saúde.


 


Não tinha casa


e vós pregastes o amor a Deus.


 


Parecíeis tão piedosos, tão perto de Deus.


Mas eu ainda tenho fome, continuo só,


nu, doente, prisioneiro e sem casa.


Tenho frio!

publicado por divagares às 21:50

Março 01 2010

"Às vezes ia lá sozinho em dias de semana. Era uma viagem fácil, de quarenta e cinco minutos, no máximo, mesmo apanhando o trânsito das cinco horas. Uma vez fora da cidade, havia que atravessar ainda outra zona industrial, uma dessas aldeias do Transval onde os campos de milho haviam dado lugar às fábricas com jardins concebidos por arquitectos paisagistas, e cuja rua principal estava agora cheia de supermercados, armazéns de grossistas e churrasqueiras, mas era útil poder parar no caminho, na loja do grego, para comprar cigarros ou mercearias finas. Depois era um troço desimpedido junto à linha de caminhos-de-ferro, até chegar ao subúrbio africano, onde as pessoas tinham tendência a sair a correr dos portões para o meio da rua - e havia grandes autocarros superlotados, táxis, camionetas carregadas de gente, bicicletas e crianças por toda a parte. O subúrbio era interminável; a alta vedação de rede, inclinada para dentro e com arame farpado no cimo, contornava o desvio da estrada principal alcatroada e seguia a de terra batida. As filas de casas ainda não chegavam ao limite. Pelo contrário, deste lado ainda se viam lá ao fundo, no veld, fileira após fileira do abrigo-padrão que é a primeira coisa que as crianças desenham: uma caixa com uma porta ao meio, uma janela de cada lado, fumo a sair da chaminé. (...) Depois a estrada inflectia, afastando-se do subúrbio. (...) O próximo ponto de referência que ele dizia aos seua convidados de domingo para procurarem era a loja indiana cerca de duas milhas mais adiante, do lado esquerdo. (...) Nínguem acreditaria (diziam ainda) que a cidade estava apenas a vinte e cinco milhas, e o imenso subúrbio mesmo ali atrás. Paz. A serenidade planáltica das grandes altitudes, a vastidão dos prados sem arbustos nem árvores indígenas; o verde, consoante a estação. Uma paisagem sem nada de teatral, excepto quando se convertia em arena das tempestades de Verão, uma paisagem sem quaisquer características de bilhete postal (as fotografias raramente conseguiam retratá-la) uma típica paisagem do Transval, que, ou achamos maçadora e monótona ou preferimos a todas as outras (diziam eles)."

Nadine Gordimer.  Autora de O Conservador, edição de bolso, comprada por  2,50 no Jumbo. Uma pechincha por um livro fabuloso dessa ilustre sul-africana que escreve magistralmente. Devoro os seua livros.

 

 

 

publicado por divagares às 21:08

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