divagares

Abril 30 2011

 

 

O CCS constituiu uma das mais ricas experiências da minha juventude. Lá estabeleci relações de amizade (e cumplicidades para a acção política, à margem do CCS, entenda-se). Com outros associados formávamos grupos para os mais diversos fins, fosse dentro do CCS, fosse a partir daí para outros locais como ir ai teatro, ao cinema, a passeios, piqueniques, petiscadas. Muitas vezes iniciávamos uma qualquer discussão no Círculo - havia sempre um pretexto - e acabavamos no Arca Doce, no Central, e às vezes no Flamingo (neste último caso íamos em busca do Dimas que lá estaria com a Maria Emília) ou na casa do Zeca.

Foi um tempo de sonhos bonitos. Foi um tempo em que muitos de nós descobriram que se podia mudar o mundo. A "escola" do CCS contribuiu enormemente para a utopia.

Não fazem qualquer sentido bacoradas que têm sido expelidas por algumas bocas de pequeno-burgueses serôdios, do estilo "o Círculo foi criado para fazer cócegas ao regime". Tais personagens não conheceram o CCS de então, o empenhamento dos seus fundadores e principais dinamizadores, que sempre adoptaram uma postura não fulanizada. Ninguém ali se "atropelava" procurando protagonismo. Pode afirmar-se com justeza que o CCS foi uma realização colectiva, em que, naturalmente, algumas pessoas tiveram um papel relevante. Atribuir a "A" ou a "B" ter sido a "alma" do CCS é destituído de sentido.

Do mesmo modo, são um perfeito disparate aqueles "assobios para o ar" de certos "inteligentes" acerca de quem tinha ou não influência no CCS. Tais pessoas falam do que não conheceram - nem conheceram a realidade do Círculo nem conheceram a orientação da força visada, relativamente ao movimento associativo - e só a sua ânsia de minimizar determinada força política pode justificar tais exercícios. Pesar influências determinar correlações de forças é caminho pelo qual me recuso entrar. Pelo contrário, realço a natureza associativa do CCS, regido por princípios democráticos amplamente unitários, plenamente autónomo de forças políticas ou instituições corporativas e administrativas.

 

 

 

 

publicado por divagares às 10:21

Abril 29 2011

Hoje, dia limite, lá fui pagar o IMI. 200,32 euros e outro tanto voltarei a pagar em Setembro. Isto dá 400,64 euros que me são esmifrados por um vulgar T3 construído Há quase 40 anos.

Na verdade, ainda não consegui perceber a razão deste imposto sobre um apartamento que não dá qualquer despesa ao Estado, e se por acaso precisarmos de fazer obras de conservação exteriores temos de pagar as respectivas licenças...

Também não consigo entender a razão porque há diferença nos valores do imposto pago pelas várias fracções, exactamente iguais quanto a áreas, acabamentos, idade, localização, etc.! Que critérios são usados pela Repartição de Finanças, não faço a mínima ideia...

publicado por divagares às 17:33

Abril 28 2011

 

 

 

publicado por divagares às 22:36

Abril 28 2011

 

 

Não sou católico. Explicando melhor,  não sou crente. Costumo afirmar que a questão da fé é a que melhor tenho arrumada na minha cabeça - Sou ateu! Dessa minha condição não faço alarde. As minhas convicções filosóficas, em matéria de religião, nunca foram usadas para agredir quem quer que seja. Tenho muito bons amigos/amigas crentes convictos, motivo que nunca beliscou essa amizade.

Dado este esclarecimento, permito-me manifestar uma opinião acerca do tão falado processo de santificação - ou beatificação, ou lá o que é - do senhor Karol Wojtyla, pelo senhor Ratzinger: Considero uma aberração, um insulto à inteligência dos crentes afectos ao catolicismo, esta fantochada - tanto na substância como na forma - só possível numa instituição arcaica desfasada dos verdadeiros problemas da Humanidade!

publicado por divagares às 18:11

Abril 26 2011

 

 

 

26 de Abril de 1937. Peninsula Ibérica. País Basco. cidade de Guernica. Por ordem do general fascista, Francisco Franco, aviões alemães bombardeiam a cidade. Destruição e morte - 1654 mortos.

 

 

 

 

publicado por divagares às 14:33

Abril 25 2011

Mário Soares continua a manobrar para que a política antipopular por si iniciada em 1976 prossiga. Essa política, praticada rotativamente pelo PS, PSD e quando estes precisaram, pelo CDS-PP, conduziu p país ao desastre económico e social, à reconstituição dos grandes grupos económicos, à subordinação do poder político ao poder económico, à  substancial perda de soberania nacional. Em consequência:

 

- os mais ricos ficaram cada vez mais ricos e os mais pobres ficaram cada vez mais pobres;

 

- Formou-se uma "classe" de privilegiados - os ex-ministros, os ex-secretários de Estado, os ex-acessores, os ex-etc - que transitaram  automaticamente dos cargos governativos e afins para as administrações dos bancos, das grandes empresas, institutos e tudo o mais que garanta rendimento principesco e mordomias;

 

- Quem está nos "topos" aufere remunerações incomparavelmente superiores aos seus congéneres dos outros países - qual república das bananas - e o mesmo se passa com o tipo de carros que lhe são entregues, com as chamadas despesas de representação, em muitos casos com as senhas de presença em reuniões e, para cúmulo, há ainda os prémios de resultados do exercício, indemnizações e reformas obscenas conseguidas com meia duzia de anos de "serviço";

 

-Aos trabalhadores retiram direitos conquistados há décadas, destroem-lhe os postos de trabalho e apelidam-nos de malandros;

 

-Aos reformados e pensionistas congelam as reformas;

 

-Aos estudantes aplicam propinas altíssimas e cortam apoios sociais;

 

- às crianças retiram ou reduzem o abono de família, encerram as escolas das suas aldeias obrigando-as a percorrer quilómetros para frequentarem as aulas;

 

- Depois de afundarem o país, sem um mínimo de dignidade patriótica chamam uns burocratas lacaios dos especuladores financeiros estrangeiros para virem interferir descaradamente em todas as áreas da vida nacional e prepararem um autêntico golpe de estado. 37 anos depois do Abril libertador!

publicado por divagares às 21:38

Abril 23 2011

publicado por divagares às 19:20

Abril 23 2011

 

Ainda a Diva, Maria de Lurdes Modesto ensinava na televisão a cozinhar frango com as peles e todas as restantes gorduras e já em Setúbal o CCS divulgava as bases da alimentação saudável, publicitava publicações da ITAU sobre o assunto e trazia à sua sede o Júlio Roberto para falar sobre alimentação racional.

Não exagero ao afirmar que o CCS teve uma intervenção marcadamente vanguardista, audaciosa, nos temas que escolhia para serem objecto das suas iniciativas. Assuntos que hoje são para o comum dos mortais coisa banal, constituíram naquela época cinzenta autênticas novidades. Cito ao calhas, o feminismo (passou por cá a Maria Teresa Horta no tempo do polémico caso das três Marias); a ecologia, tratada pelo professor Baeta Neves e outros - já então a desfiguração da Serra da Arrábida estava na ordem do dia; a Poesia erótica; a Homossexualidade, tema do filme Cenas de caça na Baixa Baviera, de Peter Fleischmann, que foi projectado e discutido num debate que se lhe seguiu; o extermínio dos índios americanos, brutalmente apresentado no filme Soldado Azul, de Ralph Nelson, projectado pelo CCS no Casino e depois discutido numa sessão no Círculo, as violências contra os índios brasileiros,  os bochimanes, os ameríndios; a guerra colonial; a guerra do Vietname; o racismo praticado nas mais diversas formas e lugares.

Apesar da repressão, da censura, havia profissionais - escritores, dramaturgos, actores, cantores, radialistas - que encontravam as formas mais ousadas para iludir aqueles esquemas castradores. O CCS esteve sempre atento e aberto à sua participação, organizando para esse efeito iniciativas adequadas. Foi assim que muitas dessas pessoas deram o seu contributo. Dois exemplos são a poesia dita por Mário Viegas, e a experiência na rádio de Adelino Gomes João Paulo Guerra e Joaquim Furtado. Um facto a não esquecer é que apareciam sempre umas "certas visitas" quando havia colóquios. E, em geral, eram diligentes, tomando notas, sobretudo quando eram referidos nomes de pessoas...

 

 

 

 

publicado por divagares às 18:28

Abril 21 2011

 

 

publicado por divagares às 21:12

Abril 20 2011

 

 

Quem gostava de música tinha no CCS oportunidade de a fruir, ao vivo ou através dos discos. Havia um gira-discos, daqueles com um dispositivo para carregar vários discos, havia discos - ouvi todos vezes sem conta. Lembro-me de Beethoven, Borodin, Carlos Paredes, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco e de músicas como a 5ª sinfonia, Nas estepes da Ásia central, Chant revolutionaire, Cantigas de amigo, Canta camarada canta, filhos da madrugada, etc.

Depois, havia os discos que alguns sócios levavam para serem ouvidos no Círculo, e a seguir, tal como com os livros, circulavam entre sócios por empréstimo - recordo alguns da Olinda Peixoto (ainda não era Peixoto) que de uma só vez me emprestou uma boa "teca" de LP's, que ficaram na minha posse bastante tempo.

Cantaram ao vivo no CCS, entre outros, o Zeca (acompanhada pelo Rui Pato), o Carlos Alberto Moniz, a Maria do Amparo, o Samuel (iniciava então a sua carreira) que na época, suponho, morava em Setúbal, razão porque era presença frequente no Círculo, ainda me lembro daquela balada que falava no "bobo do rei". Foi no CCS a única vez que ouvi as canções que o Zeca dedicou ao Alfredo Matos (preso em Caxias) - p'ra lá daquela janela/pr'a lá daquele portão/faz anos o meu amigo e irmão/(...) - e à Conceição Matos - eles Conceição vão/lamber as botas/comer à mão/(...).

Nessa época eu tinha um pequeno gira-discos, pouco mais de uma dúzia de LP's e outros tantos singles. Facilmente se perceberá o quanto importante foi o Círculo para mim no que respeita ao conhecimento/descoberta de músicas, de músicos e de autores...

 

 

 

 

 

publicado por divagares às 21:32

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