divagares

Março 31 2013

publicado por divagares às 12:04

Março 30 2013

Num canal de televisão, acabo de ver uma reportagem sobre roubos em superfícies comerciais. Foi referido o caso do furto de um chocolate, cujo preço era de 15,00 euros. Levado a tribunal o ladrão - um sem abrigo - o processo custou ao Estado mais de 1.000 (mil) euros!

Caricato, não é?

Não podia deixar de lembrar-me de uma outra caricatura da justiça portuguesa. Ocorreu em Setúbal com uma obra de recuperação de um bairro social, pela Câmara Municipal. Depois do concurso público - obrigatório - já na fase final de execução da obra, chegou-se à conclusão que os algerozes também careciam de reparação, pelo que a CM decidiu fazer um ajuste directo com a construtora que tinha estaleiro e andaimes montados, pelo preço de, mais ou menos, 175 mil euros. O Tribunal de Costas multou a presidente e o vereador do pelouro em 2.250 euros cada por não ter sido feito concurso público. Este concurso, para além dos largos meses de demora, implicava muitos inconvenientes para os moradores, com a continuação das infiltrações, e iria custar aos cofres da autarquia mais de 400 mil euros!

É a burocracia do sistema! É a justiça que temos!

publicado por divagares às 15:38

Março 29 2013

Malagrida foi um padre jesuíta italiano que rumou a Portugal, onde viveu nas boas graças da rainha Maria Ana de Áustria,teve, como é bom de perceber, uma vida influente. De Lisboa segue para o Brasil onde participa na construção de um quase império. Os interesses dessa construção vêm a ser postos em causa, com a criação pelo governo do Marquês de Pombal, da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Esta, e o famigerado Tratado dos Limites (entre Portugal e Espanha), dão origem a um conflito que chega mesmo ao uso da violência, em que a Companhia de Jesus apoia (e arma) activamente os indígenas, grandes vítimas do tal Tratado.

Conflito que terá sido a causa remota determinante para a expulsão da Companhia de Jesus, de Portugal e outros países europeus. E, provavelmente, não será alheio ao processo da Inquisição contra Malagrida, embora outros factos sejam invocados para o justificar, nomeadamente os célebres exercícios espirituais.

Depois de ter sido degredado para Setúbal, Malagrida acaba condenado pela Inquisição. A sua Execução constituiu um exercício de crueldade inimaginável nos dias de hoje.

O professor Daniel Pires, presidente do CEB - centro de estudos bocagianos - brinda-nos com uma soberba obra: Padre Gabriel Malagrida o Último Condenado à Fogueira da Inquisição, que apresentou no dia 23 de Março em acto público, na bela Casa da Cultura de Setúbal. De leitura fácil, é uma obra bem construída, resultante de uma competente, profunda pesquisa e consulta de documentos fidedignos, de resto, referidos na bibliografia, mostra-nos um homem nada flexível no pensamento e modo de estar na vida, austero, mas simultaneamente interesseiro e agiota em benefício, suponho, da causa Jesuíta. A sua fé assente num fundamentalismo cego, levou-o a atribuir o terramoto de 1755 a castigo divino - Deus castigou assim uma vida devassa das pessoas, um insuficiente respeito pelas regras da santa madre igreja.

Essa foi a sua tese, defendida convictamente, jamais admitindo causas naturais para aquela calamidade. Malagrida terá sido uma personagem controversa. Acabou vitima de crueldade atroz, em nome da sua religião. Um fim que, como qualquer ser humano, não merecia. Os tormentos da sentença e execução - excomunhão, deposição de suas ordens, amordaçamento, levado com baraço pelas ruas da cidade, morto por garrote, depois queimado na fogueira, suas cinzas recolhidas e deitadas ao mar para que não haja memória alguma - lembram o que, muitos séculos antes aconteceu a Hipatia, de Alexandria. Mais, tudo isto foi antecedido de uma prisão em condições deploráveis de sofrimento e negação de quaisquer direitos. A propósito destes factos, Daniel Pires refere o desabafo de Voltaire: "Juntou-se o excesso de ridículo e de absurdo ao excesso de horror".

publicado por divagares às 16:12

Março 28 2013

"Na sua campanha antes de ser pela primeira vez candidato às eleições presidenciais, Obama manifestou-se contra a guerra no Iraque. Uma vez eleito, prosseguiu a política de Bush, e em muitos aspectos ampliou-a e tornou-a ainda mais agressiva. E vem nomeando como principais responsáveis pela política externa norte-americana vários daqueles a quem antes de ser candidato se opôs, incluindo vários dos mais notórios vira-casaca da política dos EUA."

 

Do artigo deste jornalista britânico, que pode ser sido na íntegra em Gary Younge*:

publicado por divagares às 11:54

Março 27 2013

"(...) Mas nesse fim de tarde, nessa esplanada longínqua discreteávamos acerca da natureza da vida e dos mistérios da morte. Foi quando Óscar Lopes, no jeito modesto e tímido, sua característica, disse: o grande simbolista belga Maurice Maeterlinck escreveu que "os vivos são tão estúpidos quando falam dos mortos!". Quedou-se em silêncio, mas a natureza da conversa era facilmente aplicável ao conceito. Uns defendiam a vida para lá do túmulo, outros não, outros ainda indecisos. A sabedoria tola de quem nada sabe para além do horizonte visível. E o Óscar Lopes ensinava-nos, com simplicidade extrema, que devíamos duvidar de tudo, inclusive das nossas certezas mais enraizadas." (...).

 

A Crónica é de Baptista-Bastos e foi publicada hoje no DN

publicado por divagares às 22:57

Março 26 2013

publicado por divagares às 18:14

Março 25 2013

Organizar uma visita ao Escoural, para quem de lá não é natural, os motivos de interesse são a Gruta, o núcleo museológico/centro interpretativo, ou simplesmente razões gastronómicas,  no caso, para degustar a boa comida do restaurante do Manuel Azinheirinha.

Todavia, há muito mais que isso no Escoural. É sabido que os escouralenses - e as escouralenses - são gente acolhedora. A vila está, regra geral, impecavelmente limpa. As casas esmeradamente caiadas - o branco é dominante e as barras variam entre o azul, o ocre e o roxo - pena é que as casas desabitadas, os seus donos não as mantenham tratadas. Outra marca característica são as enormes chaminés, que, hoje, praticamente já não são usadas para o fins que justificam a sua existência: Aquecimento, cozinhar os alimentos e curar o fumeiro. A chaminé era por excelência, o local da casa onde a família se juntava em seu redor, sobretudo para seroar.

Falando de Chaminés, estou convencido que uma das poucas que durante todo o inverno mantêm a lareira acesa, e é diariamente ponto de encontro, é a grande chaminé do centro de trabalho do PCP.

Muitas moradias do Escoural exibem interessantes decorações exteriores. São alguns desses elementos decorativos que ilustram este texto.

publicado por divagares às 19:51

Março 24 2013

publicado por divagares às 14:19

Março 23 2013

O Professor Óscar Lopes, figura ímpar da cultura portuguesa e com um percurso de cidadania singular em toda a sua vida, faleceu ontem na sua cidade do Porto, aos 95 anos.

publicado por divagares às 11:46

Março 23 2013

Desabafa Angela Merkel:

 

- Olhem, que perfeição de corpos: ela esbelta e esguia, ele com este corpo atlético, os músculos perfilados... São necessariamente estereótipos alemães.

 

Imediatamente   Hollande reagiu:

 

- Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende de ambas as figuras... ela tão feminina... ele tão masculino...Sabem que em breve chegará a tentação... Só poderiam ser franceses.

 


Movendo negativamente a cabeça, David Cameron arrisca:

 

- Of course not! Notem... a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto. Só podem ser ingleses.

 

 

 

Depois de alguns segundos mais de contemplação, Passos Coelho exclama:

 

- Não concordo.

- Reparem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm casa, só têm uma triste maçã para comer... não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso. Não tenham a menor dúvida, são portugueses!

publicado por divagares às 10:53

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