divagares

Fevereiro 28 2014

Ontem estive numa tertúlia poética, no Pessoa e Companhia, na calçada de Santana em Lisboa. Um agradável espaço em que os participantes estão rodeados de livros. Muita poesia foi declamada, à mistura com estórias e explicações de contextos e a relação que pode fazer-se dos poemas declamados com realidades e ameaças à liberdades nos nossos dias. Foi mais uma tarde inesquecível preenchida com as palavras de Ary dos Santos, Miguel Torga, António Gedeão, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Vinicius de Morais, César Salvado.

Na falta de uma gravação disponível desta tertúlia, publico a seguir um vídeo do Hugo Duarte, suponho, em que Odete Santos nos brindou com Mataram a Tuna, de Manuel da Fonseca, numa outra tertúlia realizada em Janeiro no mesmo espaço e em que igualmente estive presente.

Ver o Video

publicado por divagares às 11:24

Fevereiro 27 2014
publicado por divagares às 11:27

Fevereiro 26 2014

Na Ucrânia o fascismo anda à solta! Nada do que se passou (e passa) na Ucrânia corresponde ao que é permanentemente bombardeado pelos jornais e, sobretudo, pelas televisões com empenho e zelo. Porque assim mandam os "democratas" americanos e europeus. A começar pela destruição de estátuas de Lenine, fazendo crer que é o socialismo que está a ser derrotado. Isto constitui uma inverdade, posto que, o socialismo é inexistente na Ucrânia desde a implosão da União Soviética. A actual Ucrânia é um país onde 10 latifundiários são donos de quase metade da terra arável.

Do que se trata hoje na Ucrânia é da luta entre rivais do mesmo campo, com a particularidade de um dos campos (o aparente vencedor) ter como aliados os representantes do nazifascismo e o alto patrocínio do chamado ocidente civilizado. Rios de dinheiro terão alimentados aqueles que se mantiveram nas ruas e praças longas semanas. Os mesmos que receberam em ombros a fina flor da reacção internacional. Mesmo, mesmo, só faltou receberem em pessoa o Obama e, vá lá, a Merkel. Mas como estes não foram a Kiev, foram os cabecilhas de Kiev a Berlim, etc....

(extracto dos Quadros de uma exposição, de Mussorgsky)
publicado por divagares às 11:43

Fevereiro 25 2014



A poesia de Filipe Jorge Chinita (recheada de força referencial, segundo Manuel Gusmão) autobiográfica que é, fala de si - do seu percurso pessoal e do seu engajamento na luta dos trabalhadores portugueses - fala dos seus familiares, dos seus amigos, dos seus amores. O Alentejo é omnipresente e cantado com uma infinita ternura.

É poesia para ler, reler e voltar a reler. Um regalo.

...

aqui

nestes territórios em volta

nasci e me criei eu

da minha aldeia-vila do escoural

à quinta dos pretos. que sem ironia

oficialmente se chamava

de vidigal. como

germano.

e também - não sem menos - 

germano era

o patrão

.

de forma

que não contam os nomes de grande coisa.

o que interessa

é quem és tu

quem tu és

dentro dele(s)

.

latifúndio onde

meu avô adrião

(o feitor)

- ainda -

é

aqui 

neste triângulo

                        escoural.monte mor. quinta dos pretos

entre o caminho adentro das terras do cante

e o que para lavre e ribatejo nos leva

me fiz eu homem

adolescente

sendo

...




publicado por divagares às 13:59

Fevereiro 24 2014


Uma denúncia oportuna! Foi isto que me ocorreu à medida que as imagens se iam sucedendo na tela. Porque algumas imagens são arrepiantes. mostram-nos um crime que foi sendo cometido ao longo dos tempos naquela abadia de Roscrea, na Irlanda católica. E, pressente-se, terá sido praticado nas abadias espalhadas pelo mundo fora.

Como é possível em nome da fé se desrespeitar tão grosseiramente direitos humanos? Porque é disso que se trata. Estou convicto que a estória do filme não é apenas passado da igreja católica. Será igualmente presente...

Não nos esqueçamos que Filomena não é mera ficção. Retrata factos reais, passados com pessoas reais, que sofrem ainda (sofrerão todos os seus dias) se acaso continuam vivas. Recomendo o filme, obviamente. Uma bela realização de Stephen Frears e interpretações brilhantes de Judi Dench e Steve Coogan.
publicado por divagares às 13:53

Fevereiro 22 2014
publicado por divagares às 12:42

Fevereiro 20 2014

Esta foi a semana em que morreu Augusto da Silva Couto (o avô do "Esquilo"), um operário setubalense há muito reformado da EDP. Foi ontem cremado no cemitério da Quinta do Conde.

Quis a sua família, na despedida, homenageá-lo com um acto religioso católico. Coberta estava a urna com a bandeira do seu PCP. O oficiante religioso a dado momento, referindo-se à bandeia mesmo sem o explicitar, afirmou: "percebo que foi um lutador de causas". E continuando a sua intervenção acrescentou "este homem certamente lutou muito, e lutou por causas justas."

Assim foi de facto a vida de Augusto Couto. Teve a homenagem que merecia.

publicado por divagares às 19:17

Fevereiro 20 2014






3º. andar jardim suspenso, do poeta Filipe Chinita, vai ser apresentado na próxima Tarde Intercultural no museu do trabalho, em Setúbal, sábado 22 de Fevereiro, por Natacha Amaro, com a presença do autor, numa sessão moderada por Anita Vilar.

O Luís Filipe Chinita, um escouralense que nasceu em Montemor-o-Novo é autor de vários livros de poesia, nomeadamente Cantata Pranto e Louvor (com Manuel Gusmão), gente povo todo o dia, maior é o povo, do tamanho das nossas vidas. Na sua poesia está presente o seu Alentejo, os trabalhadores alentejanos e a sua luta.
publicado por divagares às 12:37

Fevereiro 18 2014

 

Por detrás das árvores não se escondem faunos, não. 
Por detrás das árvores escondem-se os soldados 
com granadas de mão. 

As árvores são belas com os troncos dourados. 
São boas e largas para esconder soldados. 

Não é o vento que rumoreja nas folhas, 
não é o vento, não. 
São os corpos dos soldados rastejando no chão. 

O brilho súbito não é do limbo das folhas verdes reluzentes. 
É das lâminas das facas que os soldados apertam entre os dentes.

As rubras flores vermelhas não são papoilas, não. 
É o sangue dos soldados que está vertido no chão. 

Não são vespas, nem besoiros, nem pássaros a assobiar. 
São os silvos das balas cortando a espessura do ar. 

Depois os lavradores 
rasgarão a terra com a lâmina aguda dos arados, 
e a terra dará vinho e pão e flores 
adubada com os corpos dos soldados. 

 

António Gedeão

publicado por divagares às 15:03

Fevereiro 17 2014


(Recebido por correio electrónico)
publicado por divagares às 13:34

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