divagares

Dezembro 27 2014

 

publicado por divagares às 20:49

Dezembro 19 2014

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Foi no passado sábado. Em Washington. Mas também em Nova Iorque. Protestaram contra o racismo e a impunidade de crimes contra cidadãos americanos de cor negra. Foram muitos milhares.

publicado por divagares às 14:22

Dezembro 18 2014

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A perda da independência e identidade do nosso País, a desfiguração e o não cumprimento da Constituição da República, a concentração da riqueza nos potentados internos e estrangeiros, o empobrecimento generalizado, a destruição dos serviços públicos, o desemprego, os baixos salários, o trabalho precário, a instabilização de horários, o ataque às pensões e retirada de direitos sociais e culturais, a limitação às liberdades e garantias dos cidadãos, a emigração de centenas de milhares de jovens, agora com formação média e superior, o controlo, a censura e a destruição da liberdade de informação nos órgãos de comunicação social, a instalação do medo de participar na vida política e sindical, a atrofia das áreas fundamentais da nossa economia e criação de riqueza, o empobrecimento deliberado e perigoso da vida democrática são, entre outros aspectos importantes, a denúncia evidente de que não há cumprimento da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 e que à hipocrisia dos potentados do capitalismo temos de responder com o combate firme pelo nosso País, pelos direitos fundamentais que nos foram e são roubados pelos governos do PS, do PSD e CDS. Combateremos assim pela civilização humana, pelo progresso dos países e povos sacrificados, contra as potências imperiais e a NATO, na luta pela democracia e o socialismo.

António Modesto Navarro, excerto de artigo publicado no jornal Avante, de hoje.

 

publicado por divagares às 21:24

Dezembro 17 2014

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Se achar que precisa voltar,

volte. Se perceber que precisa

seguir, siga! Se estiver tudo 

errado, comece novamente.

Se estiver tudo certo, continue.

Se sentir saudade, mate-a.

Se perder um amor, não

se perca! Se o achar, segure-o!

Circunda-te de rosas, ama,

bebe e cala. O mais é nada.

publicado por divagares às 18:59

Dezembro 16 2014

Não é do livro do José Sequeira Gonçalves que falo. É dos militares que em Dezembro, ao longo dos 13 anos da guerra colonial tinham direito de antena na RTP para expressarem as suas mensagens de boas festas, dirigidas aos seus familiares e amigos. Formavam filas e, um após outro debitavam, geralmente a "correr",  o seu desejo de feliz natal e próspero ano novo mais "adeus até ao meu regresso", que para muitos foi dentro de uma caixa de pinho. Também estive na guerra - na Guiné - mas não fui contemplado com  o tal "direito de antena", já que a minha unidade não foi visitada pelas equipas de recolha das tais mensagens. Mas, caso tivesse havido essa oportunidade, provavelmente (se escolhido) não resistiria a entrar na fila. Assim, nos meus dois natais de Guiné, limitei-me ao clássico aerograma enviado via SPM (serviço postal militar).

 

 

publicado por divagares às 21:29

Dezembro 12 2014

A tradição do canto polifónico praticado na Córsega será talvez, a que mais se aproxima do nosso cante alentejano. Há até investigadores que admitem a ideia de o canto corso ter chegado ao Alentejo, trazido por religiosos franciscanos, sendo a partir dele que os rurais alentejanos criaram o seu cante. Mas, tal tese não consegue provar que assim foi, por isso permanece a par de outras hipóteses também existentes, continuando a ser não rigorosamente precisa uma origem para esta forma única de cantar. Como certo pode ter-se que o cante alentejano foi obra das trabalhadoras e dos trabalhadores rurais alentejanos, em tempos muito recuados e mantendo-o intacto por transmissão oral.

 

 

publicado por divagares às 12:50

Dezembro 11 2014

Não é possível respirar na América porque a falta de ar transcende todas as esferas da vida humana. Os imigrantes ilegais ameaçados com deportações não podem respirar; as famílias endividadas e ameaçadas com despejos sentem-se sufocadas; os trabalhadores que recebem um salário mínimo insuficiente para sobreviver sentem-se asfixiados. O movimento de massas que se está a formar é de todos eles.

 

Na atmosfera democraticamente rarefeita dos EUA persiste a segregação legal, a discriminação institucional e o racismo estrutural. É uma doença que não se cura com panaceias verbais nem paliativos legais. O racismo (enquanto actual opressão sistémica) nasceu com o capitalismo e não poderá desaparecer enquanto um homem explorar outro homem. É preciso levar para a margem o negreiro encalhado dos Igbo, destruí-lo, e construir um navio novo. Porque, no fundo, a História da América é um disco riscado pelo racismo: pode dar todas as voltas do mundo, mas enquanto o sistema for este e o disco tocar o mesmo, a injustiça continuará a arranhar-nos os ouvidos, a cortar-nos a carne e a impedir-nos de respirar.

António Santos, parte de artigo publicado no jornal Avante! de hoje

publicado por divagares às 21:12

Dezembro 09 2014

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publicado por divagares às 20:56

Dezembro 08 2014

Ontem dei a palavra a Urbano Tavares Rodrigues que falou dos "ratinhos". Literatura de alta qualidade. Coisa séria. Hoje, é uma brincadeira, tenho eu a palavra para apresentar a rata, novo modelo em vias de ser adoptado para substituir o indispensável rato no uso do computador.

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(recebido por correio electrónico) 

 

publicado por divagares às 21:21

Dezembro 07 2014

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Foi com a Adelaide, de carrinha, ver os "ratinhos" na ceifa. Parecia um dia de Agosto. O sol ofegava, em chamas claras, no suão escaldante sobre as piorneiras emaranhadas, de onde se levantavam os tordos e as cotovias, junto à carreteira, e os trigais ondulantes ardiam na vesâmia da manhã rubriloura, opressa de calor, Alguns trinta e muitos graus à sombra, perto de quarenta... Uma das raparigas da Beira, já lhe dera um "badagaio", por causa daquela calma. "Não estão avezados" - explicava o Queixada, enquanto lhe ia borrifando a face com água, suspendendo-se amiúde para aventar bolegadas a um perro vagabundo, que teimava em acercar-se da chanfana que um dos "ratinhos", muito vermelho e desabotoado, estava preparando ao lume para o almoço. Eram quase todos baixos, malfeitos, de perna curta, troncudos, grandes cabeças de lusitanos, como estátuas românicas, mas o sorriso aberto, o olhar vivo malicioso, a palavra fácil. "Salve-as Deus", "Deus vos ajude" - cumprimentavam os mais velhos. Nem aquelas saudações faltavam. Teresa conhecia bem aquele tipo humano, que comia e dormia com o gado nas suas aldeias de pedra e penava sem desfalecimento para amealhar dinheiro, para educar os filhos, para acrescentar as suas leiras. Gente dada, de bom convívio, gente de aço e de borracha, dócil e tenaz, geba mas esperta, sabendo viver com Deus Nosso Senhor e com os seus interesses. Gente forte e humilde da sua terra, apta para todas as fainas. Também ela era da mesma massa. Sentia-se fisicamente canhestra e espessa como eles. O Queixada, no meio dos "ratinhos", de jaqueta ruça, delgado, torneado, o nariz adunco e nervoso, os lábios finos, o pescoço alto, uma nuca perfeita, sob o lenço esvoaçante que a protegia do sol, parecia um príncipe do deserto, de outra raça, mais fechada, mais bela e mais triste.

 

Urbano Tavares Rodrigues, em O "Monte" das Rosas

 

Os "ratinhos" eram os trabalhadores das Beiras, contratos pelos grandes latifundiários do Alentejo e Ribatejo, constituindo "ranchos" mais ou menos numerosos para trabalhos sazonais da monda e da ceifa. Era um recurso dos grandes agrários para não pagarem aos trabalhadores locais os salários que reivindicavam. A presença dos "ratinhos" - no Ribatejo eram chamados de "gaibéus" - gerava tensão e hostilidade, já que estes sujeitavam-se a baixos salários, afectando por isso a acção reivindicativas dos alentejanos e ribatejanos.

 

publicado por divagares às 21:43

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