divagares

Outubro 31 2015

Aquando da "normalização" de relações entre os EUA e Cuba muita gente embandeirou em arco. Foram produzidas muitas declarações e comentários de júbilo. Até de reconhecimento de uma certa seriedade de Barak Obama - o próprio Raul Castro fê-lo na presença do dito-cujo - lá na Conferência das Américas.

Pessoalmente, sempre duvidei dos objectivos do todo-poderoso-império-ianque. Pressenti que estava a ocorrer uma mudança de estratégia, não uma mudança de política externa da besta, já que dezenas de anos de bloqueio não foram vitoriosos no derrube do Poder existente em Cuba, como o não foram as tentativas de invasão da ilha ou as tentativas de assassinato de Fidel.

Infelizmente, bem pouco tempo passado desde o célebre aperto de mão entre Castro e Obama e da declaração daquele sobre a seriedade deste, aí temos as novidades: O bloqueio é para continuar, apesar de na ONU 191 países terem votado pelo seu fim e apenas dois terem votado contra. E quem são esses dois? os EUA e Israel! Por outro lado, é conhecido o investimento descarado - e daclarado, assumido - de milhões de dólares no apoio a uns chamadas jornalistas "independentes" para desenvolverem o seu trabalho em Cuba. A seguir não faltarão ONG's a proliferarem em Cuba, qual trabalho de formiguinha, sapando o terreno até conseguirem uma Maidan Havanesa.

Claro que isso só acontecerá se uma certa ingenuidade fizer carreira na ilha da Liberdade...

Praçade la revolucion.JPG

 

publicado por divagares às 10:49

Outubro 30 2015

João Monge.jpg

Aerograma

 

Deus queira que esta

Vos mate a fome aos sentidos

Por agora

 

Deus queira que esta 

Vos guarde a dor aos gemidos

Noite fora

 

Dançamos fandangos

Sobre uma navalha

Pássaros em bando

Em nuvens de limalha

 

E assim eu cá vou indo.

 

Vem-me o fel à boca

As tripas ao coração

A noite trás a forca pela sua mão

 

Sonho com fantasmas

De pele preta e luzidia

Com manuais de coragem e cobardia

 

Dizem que há sempre

Um barco azul para partir

Nosso hino

Embarca a alma

E os restos de um rosto a sorrir

Do destino

 

Põe o meu retrato

No altar de S. João

E uma vela com formato de canhão

 

Cansa-me esta escrita

Com dois dedos num baraço

Assim o quis a desdita

Vai um abraço.

 

 

publicado por divagares às 13:42

Outubro 29 2015

 

Não tenho casa, não tenho sapatos
Não tenho dinheiro, não tenho classe
Não tenho saias, não tenho nenhuma camisola
Não tem perfume, não tenho cerveja
Não tenho nenhum homem

Não tenho mãe, não tenho cultura
Não tenho amigos, não tenho escolaridade
Não tenho amor, não tenho nenhum nome
Não tenho ingresso, não tenho nenhum sinal
Não tenho Deus

O que sobre Deus? Deve ser: O que eu tenho?
Por que estou viva?
Sim, o que sobre Deus? Deveria ser: Sim, o que eu tenho?
Ninguém pode tirar

Tenho meu cabelo, tenho minha cabeça
Tenho meu cérebro, tenho minhas orelhas
Tenho meus olhos, tenho meu nariz
Tenho minha boca, tenho meu sorriso
Eu tenho a minha língua, tenho meu queixo
Tenho meu pescoço, tenho meus seios

Tenho meu coração, tenho minha alma
Tenho minhas costas, tenho meu sexo
Tenho meus braços, tenho minhas mãos
Tenho meus dedos, tenho minhas pernas
Tenho meus pés, tenho meus dedos dos pés
Eu tenho o meu fígado, tenho meu sangue

Tenho vida, tenho minha liberdade
Eu tenho a vida

E eu vou mantê-la
Eu tenho a vida
E ninguém vai tirá-la
Eu tenho a vida

publicado por divagares às 21:09

Outubro 28 2015

Costumo dizer José Gomes Ferreira, o Poeta, nada de confusões, porque anda por aí um gajo, que também tem esse nome, e se dedica à propaganda das ideias "direitinhas", ao serviço do seu patrão Balsemão. É "comentador" encartado! Que nos entra pela casa dentro, no horário nobre sem pedir licença. Uma chatice aturar o gajo...

O nosso Mundo é este

 

O nosso mundo é este

Vil e suado

Dos dedos dos homens

Sujos de morte.

 

Um mundo forrado 

De pele de mãos

Com pedras roídas

das nossas sombras.

 

Um mundo lodoso

Do suor dos outros

E sangue nos ecos

Colado nos passos...

 

Um mundo tocado

Dos nossos olhos

A chorarem musgo

De lágrimas podres...

 

Um mundo de cárceres

Com grades de súplica

E o vento a soprar

Nos muros de gritos.

 

Um mundo de látegos

E vielas negras

Com braços de fome

A saírem das pedras...

 

O nosso mundo é este

Suado de morte

E não o das árvores

Floridas de música

A ignorarem 

Que vão morrer.

 

E se soubessem, dariam flor?

 

Pois os homens sabem

E cantam e cantam

Com morte e suor.

 

O nosso mundo é este...

 

(Mas há-de ser outro.)

 

 

publicado por divagares às 11:32

Outubro 24 2015

Para descontrair, vale a pena voltar a ouvir este belo poema de José Carlos Ary dos Santos, musicado por Fernando Tordo. Apesar da sua idade - 42 anos - mantêm-se perfeitamente actual.

 

publicado por divagares às 11:43

Outubro 23 2015

carlos-de-matos-gomes.jpg

Tomei a liberdade de surripiar este texto do militar de Abril, Carlos Matos Gomes:

 

A propósito de como fui tratado no dia 22 pelo Presidente da República, na reprimenda que deu aos portugueses que votaram fora do seu penico, tratando-me como um reles serviçal que não se desbarretou à sua ordem, limpando o seu augusto traseiro ao meu legítimo e honesto voto e bem assim os de tantos outros portugueses, faço minhas as palavras de Pina Manique em carta ao Duque de Cadaval:

"Exmo. Senhor Duque de Cadaval: Se o meu nascimento, embora humilde, mas tão digno e honrado como o da mais alta nobreza me colocam em circunstância de V. Excia. me tratar por tu, caguei para mim que nada valho. Se o alto cargo que exerço, de Corregedor da Justiça do Reino em Santarém, permite a V. Excia., Corregedor Mor da Justiça do Reino tratar-me acintosamente por tu, caguei para o cargo. Mas, se nem uma nem outra coisa consente semelhante linguagem, peço a V. Excia. que me informe com brevidade sobre estas particularidades, pois quero saber ao certo se devo ou não cagar para V. Excia". Santarém, 22 de Outubro de 1795.

publicado por divagares às 22:32

Outubro 23 2015

5ª. Divisão-1.gif

5ª. Divisão MFA Revolução e Cultura. Por ironia do acaso, no dia em que o defunto residente no palácio de Belém protagonizou um autêntico golpe de estado, afrontando o regime democrático e a sua Constituição (com os quais, empenhadamente, sempre, exibiu a sua discordância), na Casa do Alentejo, em Lisboa, foi apresentado o livro da autoria de um militar de Abril - Comandante Manuel Begonha - que se torna imperioso ler.

publicado por divagares às 15:01

Outubro 23 2015

Cavaco.jpg

 Abaixo o novo Miguel de Vasconcelos! Abaixo! Abaixo! Abaixo!

publicado por divagares às 11:36

Outubro 22 2015

Cavaco Silva acaba de anunciar o que todas as portuguesas e portugueses sabiam: decidiu indigitar Passos Coelho para formar um governo, que, também já toda a gente sabe, será chumbado na Assembleia da República. Optou pela instabilidade! É assim o Cavaco que ocupa Belém, felizmente por pouco tempo e com os poderes substancialmente diminuídos.

composi_o_parlamentar.jpg

 

publicado por divagares às 21:03

Outubro 18 2015

Esta gravação foi efectuada nos anos sessenta/setenta do século XX, período em que Claudio Abado e Maurizio Polini - dois músicos de excepção - se empenharam numa acção de democratização do acesso à cultura. Juntos promoveram inúmeros concertos em fábricas e associações de bairros operários, um pouco por toda a Itália.

 

publicado por divagares às 11:16

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