divagares

Novembro 24 2014

 

 

Eu sou devedor à terra

A terra me está devendo

A terra paga-me em vida

Eu pago à terra em morrendo

 

O cante. O cante alentejano é a expressão maior de um Povo. O Povo trabalhador alentejano. O cante perde-se no tempo. Qualquer alentejano o ouviu na sua meninice. No meu caso, com cinco seis anos bastava andar nas ruas das tabernas - do Batatinha, do Bréu, do Ricardo da adega, do Silva, do Tonecas, etc. - e entrar não era nada difícil, e ficava embasbacado a ouvir os homens cantar, enquanto petiscavam e emborcavam copos de vinho. Não eram corais organizados (não me consta que no Escoural tenha havido algum). Simplesmente cantavam em grupo. Afinal, um alentejano nunca canta sozinho! Recordo detestar que o meu pai bebesse. Mas rendia-me à magia do cante. Poderia não ter grande qualidade, mas a musicalidade e as palavras cantadas, mesmo na minha tenra idade, criavam-me pele de galinha. Tal como hoje me continuo a emocionar com o cante.

Estamos perante a segunda tentativa para que o cante seja classificado pela UNESCO património imaterial da humanidade e, por estes dias será conhecida a decisão. Na minha modesta opinião considero ter todos os requisitos para que tal aconteça.

 

 

 

 

publicado por divagares às 21:38

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