divagares

Maio 04 2015

Não. Não, hoje não vou  falar da água enquanto bem vital à vida; não vou falar da água um bem comum  um bem de todos que não pode passar a ser apenas de alguns; não vou falar da luta necessária de todos à escala planetária para defender a água pública. Não falar da necessidade de usar a água com parcimónia; Hoje vou dar a palavra a Bocage - Manuel Maria Barbosa du Bocage - esse grande mestre na utilização do verbo, que cantou a água de forma magistral, ainda que obscenamente. Bocage foi assim. Não abdicou da linguagem desbragada quando entendeu que o devia fazer. Por isso, aquelas almas mais sensíveis poderão ficar chocadas com os "palavrões" de Elmano sadino. As essas pessoas resta desistirem de ler e ouvir o poema de Bocage sobre A Água.

Meus senhores eu sou a água,

que lava a cara, que lava os olhos

que lava a rata e os entrefolhos

que lava a nabiça e os agriões

que lava a piça e os colhões

que lava as damas e o que está vago

pois lava as mamas e por onde cago.

 

Meus senhores aqui está a água

que rega a salsa e o rabanete

que lava a língua a quem faz minete

que lava o chibo mesmo da rasca

tira o cheiro a bacalhau da lasca

que bebe o homem que bebe o cão

que lava a cona e o berbigão.

 

Meus senhores aqui está a água

que lava os olhos e os grelinhos

que lava a cona e os paninhos

que lava o sangue das grandes lutas

que lava sérias e lava putas

apaga o lume e o borralho

e que lava as gelras ao caralho

 

Meus senhores aqui está a água

que rega as rosas e os manjericos

que lava o bidé lava os penicos

tira mau cheiro das algibeiras

dá de beber às fressureiras

lava a tromba a qualquer fantoche e

lava a boca depois de um broche.

 

publicado por divagares às 11:57

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