divagares

Dezembro 11 2014

Não é possível respirar na América porque a falta de ar transcende todas as esferas da vida humana. Os imigrantes ilegais ameaçados com deportações não podem respirar; as famílias endividadas e ameaçadas com despejos sentem-se sufocadas; os trabalhadores que recebem um salário mínimo insuficiente para sobreviver sentem-se asfixiados. O movimento de massas que se está a formar é de todos eles.

 

Na atmosfera democraticamente rarefeita dos EUA persiste a segregação legal, a discriminação institucional e o racismo estrutural. É uma doença que não se cura com panaceias verbais nem paliativos legais. O racismo (enquanto actual opressão sistémica) nasceu com o capitalismo e não poderá desaparecer enquanto um homem explorar outro homem. É preciso levar para a margem o negreiro encalhado dos Igbo, destruí-lo, e construir um navio novo. Porque, no fundo, a História da América é um disco riscado pelo racismo: pode dar todas as voltas do mundo, mas enquanto o sistema for este e o disco tocar o mesmo, a injustiça continuará a arranhar-nos os ouvidos, a cortar-nos a carne e a impedir-nos de respirar.

António Santos, parte de artigo publicado no jornal Avante! de hoje

publicado por divagares às 21:12

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