divagares

Outubro 20 2014

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Um dos maiores poetas da língua francesa.Nasceu faz hoje 160 anos. Viveu de forma excêntrica, à margem das convenções da sua época. Na sua curta existência (37 anos) produziu uma vasta obra que haveria de influenciar profundamente os autores seguintes, nas várias expressões da arte.

 

Quase ilha, a sacudir das bordas as arruaças,

E o excremento a tombar dos pássaros burlões,

Vogava a ver passar, entre as cordagens lassas,

Afogados dormindo aos recuões!...

 

Ora eu, barco perdido entre as comas das ansas,

Jogado por tufões no éter de aves ausente,

Sem ter um Monitor ou veleiro das Ansas

Que pescasse a carcaça, ébria de água, à corrente;

 

Livre, a fumar, surgindo entre as brumas violetas,

Eu que rasguei os rúbeos céus, qual muro hostil

Que ostentasse, iguaria invulgar aos bons poetas,

Os líquenes do sol e as excreções do anil;

 

Que ia, de lúnulas eléctricas chamando,

Prancha doida, a arrastar hipocampos servis,

Quando o Verão baixava a golpes de cajado

O céu ultramarino em árdegas funis.

 

Do poema O Barco ébrio

 

publicado por divagares às 21:40

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