divagares

Março 26 2015

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 Balada do fumo negro

 

Eu te saúdo, ó fumo negro das fábricas

Eu te saúdo!

Aí onde maculas o azul

Onde rolas ao sabor da ventania,

Há homens que o carvão tingiu de negro

Homens verdes, brancos, amarelos

Homens cor do cimento e da ferrugem,

Homens sem raça!

Homens sem cor!

Eu te saúdo, ó fumo negro das fábricas!

Tu que és negro resíduo

Desse estupendo cadinho

Onde se fundem tragédias.

Eu te saúdo, ò fumo negro das fábricas!

Nessa raça de homens que não têm raça,

Nessa raça de homens que não têm cor.

Eu te saúdo

Pelos rostos banhados de suor,

Verdes, brancos, amarelos,

Cor do cimento e da ferrugem

Que o carvão risca de negro.

 

António Dias Lourenço, um Grande cidadão português, de quem se assinala presentemente o centenário do seu nascimento.

publicado por divagares às 22:21

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