divagares

Outubro 31 2016

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 Poeta brasileiro, mineiro porque natural de Minas Gerais, nasceu a 31 de Outubro de 1902. Legou-nos uma notável obra poética.

 

Não rimarei a palavra sono

com a incorrespondente palavra outono.

Rimarei com a palavra carne

ou qualquer outra, que todas me convêm.

As palavras não nascem amarradas,

elas saltam, se beijam, se dissolvem,

no céu livre por vezes um desenho

são puras, largas, autênticas, indevassáveis.

 

Uma pedra no meio do caminho

ou apenas um rastro, não importa. 

Estes poetas são meus. De todo o orgulho,

de toda a precisão se incorporaram

ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius

sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.

Que Neruda me dê sua gravata

chamejante. Me perco em Apolinaire. Adeus, Maiacovski.

 

São todos meus irmãos, não são jornais

nem deslizar de lancha entre camélias:

é toda a minha vida que joguei.

 

 

publicado por divagares às 22:58

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