divagares

Agosto 04 2017

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O jornalista garante que, em cenários de guerra, os media são manipulados por agências de comunicação e pressionados a veicularem informação falsa.

Diz que a Alemanha está a exercer a mesma política que Hitler e que as medidas de austeridade aplicadas a Portugal e à Grécia não têm a ver com racionalidade, mas com questões ideológicas.

"Kraina, Bosnia, Kosovo representaram um ponto de viragem na história europeia, no quadro geo-estratégico e das relações internacionais, nas suas diversas componentes: políticas, diplomáticas, institucionais, legais. No caso do Kosovo, ao nível das estratégias de comunicação, operações militares, práticas políticas e diplomáticas e questões jurídicas que este conflito levantou. O conflito dos Balcãs abriu a era em que estamos agora. Na perspectiva jornalística, teve uma importância crucial. Vivi este conflito, particularmente a questão da Kraina, muito por dentro, e não apenas como observador. Deixou-me marcas muito vivas."

Sobre o Kosovo "As memórias ainda me doem tanto que não quero voltar àquelas paragens."

Kraina "Foi um genocídio, no sentido técnico do termo, feito com a cumplicidade militar e política dos EUA e da Europa, que estiveram envolvidissimos naquela operação. Temos todos as mãos sujas de sangue. Ainda me lembro de um oficial croata me dizer, pouco antes do ataque à Kraina, que as ordens eram muito simples. Ninguém podia dar um único tiro sem ser comandado pelos EUA. Foram os EUA que montaram toda a operação. A capacidade de mentir, de manipular, ultrapassou tudo o que era capaz de imaginar."

"Os editores lidam com uma série de condicionamentos: o ambiente informativo, o que a concorrência diz, as expectat ivas do próprio público. Têm uma perspectiva da informação completamente diferente da do repórter no terreno. (...) E o choque é inevitável. Queríamos denunciar e dar uma visão das coisas que não jogava com a linha da NATO  e dos EUA. E como a questão da informação era ultra-sensível naquele conflito, havia pressões enormes."

"O caso da Ucrânia é um bom exemplo. Em toda a parte, estava proibido de contar o que vi. Só publiquei a história na revista de Ciências Militares. Ao contrário do que seria de esperar, a multiplicação dos canais de comunicação e informação e o acirrar da concorrência tem o efeito de afunilamento. Nunca a informação foi tão uniforme, tão igual. A resposta à concorrência  não é tentar fazer diferente do vizinho. É garantir que eu não deixei de dar aquilo que ele também deu."

(foto de Ricardo Graça)

publicado por divagares às 10:55

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