divagares

Agosto 08 2014

O senhor Custódio Pinto é colaborador do jornal O Setubalense. Geralmente presto atenção às suas crónicas. Hoje, foi publicado um texto seu sobre as fábricas de conservas, tão importantes ao longo de décadas, e hoje não existe uma única. Atrevo-me a transcrever o último texto do senhor Custódio publicado naquele jornal:

 

"Isto vem a propósito da demolição de alguns edifícios de fábricas de conservas na estrada da Graça, que me fez recuar no tempo em Setúbal que chegou a ter cerca de uma centena de fábricas e hoje não tem nenhuma. Porquê?

Nessa altura, eram a principal indústria de Setúbal, juntamente com a Sécil e a Sapec, pois a cidade vivia à base destas três indústrias.

Quando não havia peixe, as fábricas não trabalhavam por falta de matéria-prima e quando essa crise coincidia com a quadra do Natal e da Feira de Sant'Iago era uma miséria e uma tristeza. Mas quando havia peixe e com as fábricas a laborar em pleno, a imagem era outra tanto para os operários como para o comércio em geral, igualmente nas quadras festivas.

Ainda me recordo com saudades dos nomes de algumas fábricas de conservas, litografias, de empresas de adubos e as estivas: Fábrica Prienes; J. Antunes Fragoso; Francisco Alves &  Filhos (Estrela do Sul); Viegas & Lopes; António Alonso (Espanhois do Bonfim); Lopez & Valeras; Gandara Haz Rabago; Soc. Conservas Atlas; Lino da Silva; L. Branco; Veiga; Gargalo; Tenório & Madeira; Alves Mendanha (Aurora); Algarve Exportador; Mariano Coelho; Unitas; Société de Conservas de Setúbal; Délori; Saupiquet; Silvas e Silvas; Supremo; Forreta; Janelas Verdes; Marques Neves; União Industrial de Conservas; Fábrica de Conservas Poquer; Nascimento & Ramos (Fábrica Lé Lé); Santarém & Palhão; P. Monteiros; Fábrica Estrela; e Vasco da Gama.

E depois havia as litografias que faziam todo o tipo de latas de folha de Flandres: Empresa Cooperadora da Indústria de Conservas; Sociedade Mecânica Setubalense; Astória; Sol - Soc. Outão Lda; Litografia Sado. Por fim, as empresas de adubos que faziam as farinhas de peixe e derivados, como a Soc. de Adubos Vale da Rosa e a Adubos Luís Garcia (Sangue Forte), e as estivas que eram instalações fabris que preparavam e conservavam o peixe em salmoura em barricas, principalmente o biqueirão para as anchovas, e que ainda me lembro das seguintes: O Bonifácio Lázaro, Soc. Triangular de Anchovas Lda e da Fábrica de António Alonso.

(...)

Naquele tempo, os trabalhadores só trabalhavam e ganhavam quando as fábricas tinham peixe e, quando assim sucedia, as fábricas tinham duas modalidades para chamar os operários: a sirene, e quando a ouviam sabiam logo de que fábrica era; e a outra, um operário de bicicleta ia às casas avisar que a fábrica tinha peixe. Quem visitar a antiga fábrica Prienes, hoje um museu, pode ver em exposição, além da maquinaria e utensílios desta indústria, o homem da bicicleta.

A fábrica Prienes, depois de desactivada, teve o edifício à venda com vários pretendentes e boas ofertas. Mas os herdeiros, de origem francesa, preferiram vender à Câmara de Setúbal por um preço mais baixo, com a finalidade de enriquecer o património da cidade com mais um museu histórico para perpetuar a extinta indústria de conserva de Setúbal. É de louvar este gesto da família Prienes pelo reconhecimento que tem por Setúbal.

Viva Setúbal" 

publicado por divagares às 21:01

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