divagares

Novembro 16 2015

Sempre que há um atentado em território francês, generalizam-se as manifestações de indignação e solidariedade. É, indiscutivelmente, uma atitude louvável. O que me intriga é a "passagem ao lado" dos crimes ocorridos noutras latitudes, que acontecem constantemente. Valerão menos as suas vidas que as dos franceses?

Recentemente, num bárbaro atentado em Beirute, cujos autores são da mesma seita fanática, perderam a vida mais de 40-QUARENTA! pessoas e cerca de 200 ficaram feridas. Foi "vivido" pela opinião pública como um acontecimento banal! Quem colocou o Cedro no seu mural?

É certo que os OMS - ÓRGÃOS DE MANIPULAÇÃO SOCIAL - adoptam critérios distintos quando se trata de Beirute ou Paris. Precisamente, porque é essa a sua função: influenciar (pela negativa, manipulando as

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consciências) e levar as pessoas a procederem conforme lhe convêm.

De há dois dias para cá,  o mundo pinta-se com as cores de França. Adopta o Je suis Paris. Não duvido dos sinceros sentimentos de quem assim procede, mas estou convencido que estas manifestações são induzidas pelas centrais ideológicas de formatação das mentes. Configura também algum folclore, que inclui velinhas, flores, frases. Que fica bem enquanto dura mas, passado o momento, os crimes vão continuar e a passividade instala-se de novo. Eu, participante em acções de denúncia do belicismo da guerra e pela defesa da Paz, já fui insultado com bocas do género "vão mas é trabalhar".

No presente caso - atentado de Paris - há quem se equivoque e não distinga a diferença entre as vítimas francesas e a França. A França está manchada de sangue. O seu presidente Hollande tem as mãos sujas de sangue. Há uma responsabilidade francesa nas tragédias que vivem os Povos sírio e líbio, provocadas pelas agressões armadas à margem do direito internacional. O que é tão condenável como  atentado de Paris. Do mesmo modo, a França é co-responsável pela acção terrorista da sua NATO, esta igualmente encharcada em sangue.

Sim. Os crimes que, às mãos dos extremistas do chamado estado islâmico treinado armado e permanentemente abastecido pelos seus amigos, são praticados em Beirute, Gaza, Alepo,  Raqqa, Palmira,Ankara,Yemani,etc., merecem a mesma condenação, que aquele agora ocorrido em Paris. É indispensável perceber isso. É tempo de dar combate aos que são "pais" e mentores do terrorismo.  É imperioso que o choque e a indignação não seja apenas um acto inócuo.

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publicado por divagares às 11:49

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