divagares

Julho 08 2015

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Maria de Jesus Barroso foi hoje levada para a sua última morada, no cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Não conhecia a senhora pessoalmente. E sobre ela tive, pela primeira vez, notícia nos anos cinquenta ou sessenta a propósito da sua condição de actriz.

O Diário de Notícias de hoje publicou uma curta afirmação sua, que achei interessante. Afinal Maria Barroso assumiu a sua discordância com o salazarismo, foi antifascista, solidária com os presos políticos. Foi discriminada por ser do "contra" nos tempos de luta contra a repressão e o obscurantismo. Foi uma mulher da cultura - quem a viu representar não lhe ficou indiferente. Acompanhou, sempre, o seu marido: na opção pela social-democracia que degenerou naquilo que é hoje; na fundação da Acção Socialista Portuguesa que deu origem ao actual ps; no meter o socialismo na gaveta onde permanece fechado a sete chaves. Converteu-se ao catolicismo aquando do grave acidente do seu filho quando foi à Jamba buscar o marfim oferecido pelo amigo Savimbi. E viveu confortavelmente no Campo Grande, em Nafarros, no Vau, no Palácio de Belém.

Maria Barroso, substancialmente, sempre foi vista como a mulher do Mário Soares. E assim vai ser lembrada. E, ela sabia-o. O desabafo citado pelo DN é prova disso.

publicado por divagares às 21:16

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