divagares

Agosto 05 2014

 

 

Fim de dia de uma operária grávida

 

Sente o peso do filho

na barriga

As costas leva curvadas

 

Nas pernas vê a varizes

Vê as mãos 

que traz inchadas

 

(A casa! Chegar a casa!)

 

E vai andando apressada: empurrando o corpo

lento

devorado de cansaço

Com um desespero manso e firme a entrar-lhe

pelos braços

 

(A casa! Chegar a casa?)

 

E a cama desalinhada?

E a comida por fazer?

E a louça não lavada?

 

Na fábrica ficou a máquina

na oficina o ruído

a obra já acabada

 

Mas ainda falta a casa

Com a sua vida a cumprir:

        varrer

        panelas

        jantar

 

E a roupa do marido

toda ainda por lavar

 

(A casa! Chegar a casa...)

 

A que horas vai poder

deitar-se para dormir?

Num sono de se esquecer...

 

A que horas vai poder?

publicado por divagares às 21:10

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