divagares

Junho 12 2014

Quanto à caracterização, tu, Roth, és o menos conseguido dos teus protagonistas. A tua vocação não é personalizar a tua experiência mas sim  personificá-la, dar-lhe corpo na representação de uma pessoa que não és tu. Não és um autobiógrafo, és um personificador. Tens a experiência oposta à da maioria dos americanos teus contemporâneos. O teu conhecimento dos factos, o teu sentido dos factos, é muito menos desenvolvido que a tua compreensão, a tua intuição da conta, peso e medida da ficção. Constróis um mundo fictício que é de longe mais estimulante do que aquele que lhe está na origem. O meu palpite é que já escreveste tantas metamorfoses de ti mesmo que não fazes mais ideia do que és ou alguma vez foste. Agora não passas de um texto ambulante.

 

Eis Philip Roth a falar de si próprio, por intermédio de Nathan Zuckerman, um personagem da sua ficção. Magistral.

publicado por divagares às 19:41

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