divagares

Março 16 2015

 

 

digitalizar0003.jpg

 

 Em verdade te digo: Não

espero a eternidade. E sei

que nenhum verso vence a morte.

 

Procuro apenas um sinal

um ritmo que me restitua

a imperceptível respiração da terra.

 

Talvez os cabelos de Maria

irmã de Marta

a enxugar-me os pés.

 

Porque todos os poemas são mortais.

E o que fica é talvez

um perfume de nardo E nada mais.

 

Manuel Alegre

Este poema de Manuel Alegre foi achado uma publicação da Associação Portuguesa de Escritores, manuscrito numa página em branco aproveitada pelo autor para o efeito. Publicação essa que faz parte do espólio deixado por um outro autor recentemente falecido.

 

publicado por divagares às 11:03

mais sobre mim
Março 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
14


22
24
28

30


pesquisar
 
blogs SAPO