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04
Nov18

Para Ana, de A Foz em Delta

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O nascente contrai e distende; o nascente

Ondula. Faz a dança e a dor

Na barriga da mãe que vigia o seu contentamento:

-. Como as marés a luta fascina-me.

Espero a minha: a lua cheia.

O eclipse para que eu nasça, o eclipse 

Porque eu nasço. Tenho pressa.

A minha mãe impacienta-se. Aguardamos

Ambas ansiosas e brandas enquanto

Enquanto o meu pai vigia e ama.

 

O nascente ondula nas margens da luz:

Abre e fecha as mãos, ensaia o salto no sonho.

Medita, de cabeça apontada, o nascimento:

- Eu descerei, eu desço num paraquedas

que me liga à nuvem que me alimenta.

É uma nuvem esponjosa como

Um peixe, quente e impaciente.

Eu prometo-me, prometo-.vos

O nascer Eu. 

O pai e a mãe fazem isso:

A alegria do mundo é-me dedicada.

 

Manuel Gusmão

25
Out18

Seara de Vento, Raiva, no cinema

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O meu velhinho exemplar, edição Portugália, de 1962

 

Raiva: "cólera, fúria, ira, reacção violenta contra aquilo que fere..."

Raiva é o título do filme de Sérgio Tréfaut, baseado no romance Seara de Vento, de Manuel da Fonseca, uma das mais belas obras que li nos meus tempos de juventude.

Muito justamente passa nestes dias em antestreia por várias localidades do Alentejo. Esse Alentejo tão bem retratado por Manuel da Fonseca, era o Alentejo da fome, da exclusão, da repressão. Um Alentejo em que no dizer de Anabela Fino "uns se matam por vergonha e outros não têm vergonha de matar."

Raiva, tem estreia oficial no próximo dia 01 de Novembro.

30
Set18

Adeus a Alves Barbosa!

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Alves Barbosa o ídolo de uma geração morreu neste sábado, aos 86 anos.

Afirma a Federação Portuguesa de Ciclismo tratar-se  de "uma das maiores figuras da história do ciclismo português, tendo granjeado prestígio enquanto corredor - um dos maiores de sempre - mas, também como treinador e como dirigente."

Ao longo da sua carreira de ciclista empolgou os adeptos da modalidade, cuja Volta a Portugal venceu nos anos de 1951, 1956 e 1958, tendo também feito o top 10 na Volta a França em 1956.

Foi um cidadão de corpo inteiro, atento aos problemas sociais e políticos, tomando partido na defesa dos trabalhadores, da democracia, da justiça social.

Foi um dos Grandes deste país!

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22
Set18

2018 ano do centenário do nascimento de Leonard Bernstein

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Nascido a 25 de Agosto de 1918 na cidade americana de Lawrence no Massachusetts, filho de emigrantes judeus ucranianos.

Compositor, e director de orquestra. Pedagogo inato, divulgador como poucos da importância da música.

Cidadão activamente interveniente na sociedade do seu tempo, politicamente esclarecido e empenhado, por isso perseguido  no período da caça-às-bruxas do tristemente célebre macartismo. Rebelde até ao final dos seus dias teve na luta contra a guerra do Vietname uma das suas últimas batalhas.

 

 

 

09
Set18

A Festa do Avante! é mesmo uma Festa! Mas muito especial! Queiram ou não, alguns!

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Chegar à Quinta da Atalaia, Amora, Seixal (temos sempre que acrescentar Amora, Seixal, porque há mais Amoras na terra), na primeira sexta-feira de setembro, com o sol a descer, é como voltar a casa. Não se explica muito bem. Entra-se ali e está-se em casa.

A caminho da festa, o meu pai garantia-me que fui ao Jamor, pequenina, ainda de colo, e que era só calor e pó e a minha mãe, pouco dada a festas e militâncias, não durou lá muito tempo comigo e o meu irmão, quase da mesma idade.

O meu pai foi a todas. Eu não sei. Talvez à Ajuda, também calor e pó, dessa tenho uma vaga lembrança. E depois só já crescida (já a festa tinha conquistado a Quinta da Atalaia há uns tempos), aos 24 anos, por causa de um livro que escrevi com o Álvaro Cunhal, aos 28, em trabalho, como jornalista, e desde então, sempre.

Este ano, falhei o discurso de abertura, ouvi-o ao longe, da porta da Quinta da Princesa, como ouvi ao longe o Avante Camarada, sem poder juntar a minha voz à deles, abraçada, à moda alentejana, a pessoas que não conheço, e a terra sem amos, a Internacional. Quando não falho, as lágrimas também não e são outra coisa que me custa explicar. Talvez seja da justeza dos ideais e da luta, da luta a sério, por eles. Talvez seja disso, a emoção.

Anteontem, pediram-me um texto sobre a festa e então eu, que ia só por voltar a casa, pela primeira vez, nos últimos 15 anos, percorri aqueles quilómetros todos, de uma ponta à outra, de olhos diferentes, a ver o que nunca tinha visto. E foi um espanto.

Talvez o meu pai tenha razão e eu tenha ido bebé de colo, porque há tanta gente com bebés de colo e em cadeirinhas, há miudagem que farta, em magote ou com os pais, pré-adolescentes e adolescentes, como os meus filhos, pós-adolescentes e malta da minha idade, malta da idade do meu pai (a geração de Abril) e mais velhos, bengalas. E estão todos em todo o lado. São muitos (quando levo amigos meus de direita à Festa do Avante!, a piada é sempre a mesma: "são muitos, medo"). Ninguém com pressa. Minto, quando começa a Carvalhesa a avisar que vai abrir o Palco 25 de Abril, aparece gente a correr de todas as artérias da festa. Os comunistas (e os outros todos, que não há só comunistas na festa) gostam de dançar. Sobretudo a Carvalhesa. De resto, ninguém com pressa.

É bonito isso na festa. É um lugar onde se está. E tanto se pode estar no palco 25 de Abril a ouvir um pedaço da nona sinfonia de Beethoven [Sinfonia n.° 9 Coral op. 125 (4.° andamento: Finale-Presto)], interpretado pela Orquestra Sinfonietta de Lisboa e o Coro Sinfónico Lisboa Cantat, como no palco 1º de Maio a dançar com os cabo-verdianos Tubarões. Tanto se pode estar a assistir a um combate de boxe como a ver 1936, O Ano da Morte de Ricardo Reis, pel'A Barraca, no Avanteatro. Tanto pode estar-se a jogar futebol como a ver a exposição do Pavilhão Central "Capitalismo - Génese, natureza, contradições". Tanto pode estar-se a ver o filme Luz Obscura, de Susana Sousa Dias, no CineAvante, como a beber copos, comer e conversar numa qualquer esplanada do mundo ou do país (da China a Leiria, da Madeira à Venezuela, de Beja ao Brasil, de Lisboa a Cuba, é escolher - podia continuar, mas acho que já se percebeu a ideia).

E ainda há os debates. Muito debatem os comunistas. Há debates em todo o lado e a toda a hora. E há a feira do disco e a do livro. Fui espreitar. Estive para comprar o Casei com um Comunista, do Philip Roth, mas resisti.

Quando acabei a volta, sozinha (é tão raro estar na festa sozinha) percebi finalmente porque volto lá sempre e me sinto em casa. É um lugar onde toda a gente trata toda a gente toda por igual (e por camarada), onde cantei com o Sérgio Godinho e o Jorge Palma, onde me desiludi com o Fausto, onde fiz as pazes com o Paulo de Carvalho, onde chorei com a Estrela da Tarde cantada pelo Carlos do Carmo e com a Desfolhada na voz de Simone de Oliveira e onde perdi a vergonha de saltar com os Xutos & Pontapés. É um lugar onde posso tudo o que quiser. É um lugar de liberdade.

 

06
Set18

Acerca de Staline

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"Muitas vezes me perguntei porquê a URSS se tinha tornado uma super potência sob Estaline e porque tinha começado a perder essa posição após a sua morte (...) Muito simples , sob Estaline a ninguém da nomenclatura era permitido roubar o Estado. Este é talvez o maior mérito da sua era e a principal razão da sua imorredoura popularidade actualmente." 

 

Dimitri Rogazin, um cidadão russo não comunista, no seu livro "The Hawks Peace", que foi embaixador do seu país junta da NATO, sobre a qual faz a seguinte afirmação: "O cinismo da NATO ultrapassa os piores cínicos deste mundo."

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