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13
Jun12

Escoural, a minha terra - X

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Com o 25 de Abril concretizaram-se transformações substanciais no país e o Escoural viveu intensamente a Revolução. A sua mais marcante realização foi a ocupação de terras e a fundação da UCP Salvador Joaquim do Pomar! Que teve repercussões profundas na vida social e económica local.

Pela primeira vez na história os trabalhadores possuíram, trabalharam e geriram a terra. Exerceram em liberdade a democracia em que todos tinham direitos iguais. Elegeram livremente os dirigentes da sua UCP. Não se tratou de apropriação individual da terra. tratou-se de uma experiência colectiva de profundo significado revolucionário. Ainda hoje, está por fazer uma reflexão atenta sobre a importância desta experiência, que teria conduzido a um Portugal mais desenvolvido e menos dependente, socialmente mais justo, se não tivesse vencido a contra-revolução que devolveu a terra aos antigos agrários e seus descendentes, empenhados na transformação das áreas cultivadas pelas UCP's em coutadas e pouco mais.

Com a Reforma Agrária, pela primeira vez foi assegurado o pleno emprego e um salário garantido..

No total de 570 UCP's ( e 1.151.512 hectares) da zona da Reforma Agrária, a Unidade Colectiva de Produção do Escoural foi a 5ª maior e uma das melhores organizadas. Foi composta por 12.223 hectares e integrou 695 trabalhadores (coube-lhe em "sorte" as duas vítimas mortais da Reforma Agrária serem seus membros - António Maria Casquinha e José Geraldo Caravela, Assassinados pela GNR quando corajosamente lutavam em sua defesa). Aumentaram e diversificaram a produção. Adquiriram património e maquinaria necessária às actividades produtivas.

A Reforma Agrária, e por consequência a UCP Salvador Joaquim do Pomar, viria a ser vítima do primeiro ajuste de contas com o 25 de Abril, começado no primeiro governo de Mário Soares. Foi o início da contra-revolução, que não perdoou a ousadia do proletariado rural ter concretizado a consigna A terra a quem a trabalha!, por que se vinha batendo há longas décadas.

Com este modesto texto presto homenagem às centenas de Homens e Mulheres da minha terra que foram valentes obreiros desta formidável realização.

Obra de Armando Alves em homenagem a Casquinha e Caravela

 

 

 

 

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