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14
Fev13

Os sucessivos ataques à escola pública

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A escola pública tem sido alvo de sucessivos ataques desde 1976. Sottomayor Cardia (ministro de Mário Soares) iniciou as hostilidades. E o que se lhe seguiu foi sendo cada vez pior. Actualmente, no que à educação diz respeito, a troika externa defende o despedimento de cerca de 60 mil professores! E a troika interna prepara-se para levar por diante as exigências daquela. A qualidade do ensino tem sido degradada pelas políticas seguidas, independentemente da "cor" que governa.

 

A propósito do livro Os Labores de Adão & os Artifícios de Eva, de Hugo Santos, Domingos Lobo diz num artigo hoje publicado no Avante!: "convém ao poder criar uma legião de submissos úteis, que se não interroguem, que não questionem, que obedeçam sem chatear. A literatura de supermercado serve esse desígnio, com a televisão, os modelos formatados da produção cinematográfica de hollywood, os jogos virtuais, etc., a criarem o cerco. É a escola, as universidades que estes senhores almejam, vão, lentamente, destruindo os imaginários, a massa crítica, reduzindo a inteligência e a capacidade dedutiva."

 

Entretanto, nesse artigo, DL cita Manuel Manguel: "O que está a perder terreno é a inteligência. Estamos a tornar-nos mais estúpidos porque vivemos numa sociedade na qual temos de ser consumidores para que essa sociedade sobreviva. E para se ser consumidor, é preciso ser estúpido, porque uma pessoa inteligente nunca gastaria 300 euros num par de calças de ganga rasgadas. Essa educação da estupidez faz-se desde muito cedo,desde o jardim de infância. É preciso um esforço muito grande para diluir a inteligência das crianças, mas estamos a fazê-lo muito bem. Estamos a conseguir destruir aos poucos os sistemas educativos, éticos e morais, o valor do acto intelectual."

"A escola, a universidade, deveriam ser o lugar onde a imaginação tem campo livre, onde se aprede a pensar, a reflectir, sem qualquer meta. Mas isso é algo que estamos a eliminar em todo o mundo. Estamos a transformar os centros de ensino em centros de treino. Somos a primeira sociedade que entrega os seus filhos à escravidão, sem qualquer sentimento de culpa. Nesses centros de aprendizagem, estamos a criar seres humanos que não confiam nas suas próprias capacidades e que começam a acreditar que o seu único objectivo na vida é arranjar trabalho para conseguir sobreviver até chegar à reforma - mas até isso já lhes estão a tirar."

 

O pessimismo de Manguel, infelizmente, identifica a realidade em que estamos mergulhados. Dia a dia tomamos conhecimento de factos que eram para nós improváveis de acontecerem - é aterradora a ideia de que "somos a primeira sociedade que entrega os seus filhos à escravidão". Acredito que que há alternativa esta premissa. Estou convencido que, quando a humanidade tomar consciência de que há alternativa a esta situação, não haverá "drones" que impeçam o caminho da mudança.

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