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22
Fev13

Batalhão de Caçadores 1912 - Guiné, Mansoa

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Mansoa foi a "residência" da CCS e da Companhia de Caçadores 1686, durante toda a comissão na Guiné. A Companhia de Caçadores 1684 cumpriu a comissão em local que já não recordo e a 1685 em Fá e Fajonquito.

Chegados a Bissau a bordo do navio Uíje em 13 de Abril de 1967, as Companhias 1684 e 1685 desembarcaram no dia seguinte e só em 15/04 desembarcaram a CCS e a 1686 que rumaram nesse mesmo dia para Mansoa. Fomos recebido, alegremente, como periquitos (assim tratavam os recém-chegados) pelos rendidos, o Batalhão de Caçadores 1857, que também nesse mesmo dia seguiu para Bissau.

Assim foi iniciada uma comissão que se prolongou por longos 25 meses. Muitos acontecimentos trágicos haveriam de ocorrer. Alguns dos camaradas de chegada, neles encontraram a morte, o mal maior da guerra. Outros ficaram gravemente marcados para o resto das suas vidas. Para o bem e para o mal, aquele espaço (o quartel de Mansoa, na foto) foi a nossa casa. Ali partilhamos o risco, a apreensão, a saudade e a esperança. Ali construímos relações de fraternidade, de cumplicidades, de convívio, de camaradagem.

É verdade que o risco enfrentado por mim foi infímo, se comparado com os operacionais. As situações perigosas por que passei, não foram além das ocasiões de flagelação do quartel, o que já não foi pouco... A minha tarefa era administrativa e de participação na escala de vigilância nocturna ao quartel, o chamado reforço.

Visito frequentemente sítios de ex-combatentes. É com amargura que constato haver ainda quem insista em considerar a guerra colonial como uma epopeia gloriosa. Que ali estivemos a defender os interesses da Pátria.

Esta guerra foi antes uma tragédia que marcou indelevelmente o século XX português - um elevado número de mortos, feridos, mutilados, perturbados (stress pós-traumático), órfãos, viúvas. Foi igualmente uma tragédia para os povos das colónias - não podemos ignorar os seus mortos, feridos, mutilados, torturados, tão humanos quanto os europeus. Prevalece para muitos, uma visão maniqueista - "nós" fomos os bons e os outros os maus, o "inimigo", os "turras"!

Contudo, "nós" eramos o ocupante, representavamos o país opressor, estavamos a mais naqueles territórios! Os interesses que nos obrigaram  a defender não eram os interesses do povo português!

Ocorre-me imaginar um cenário em que uma nave cheia de extra-terrestres aterra neste rectangulo europeu, que é a nossa terra, decidem declarar sua, chamam reforços do seu planeta para assegurarem o seu domínio...

Que fariamos nós, portugueses nesta situação? Certamente, o mesmo que fizeram os povos de Angola, Guiné, Moçambique...

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