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divagares

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27
Jun11

Primeiro poema de amor

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Lúcida, a manhã canta na tua voz de prata,

Meu amor perdido que a saudade aquece.

Na cidade exangue donde eu vim poeta

Lembro a voz do vento que hoje me entristece...

 

Lembro as tuas faces, meu amor ausente,

Que a lembrança guarda no seu fumo triste,

Que paisagens novas me fizeram pobre

Nesta alma exausta que hoje em mim existe.

 

Ó sol, meu padrinho, flor do céu!

Que alegria, amor, quando o sol perdoa.

Há gemidos novos na paisagem nova

Meu amor perdido que em minha alma soa.

 

Antunes da Silva, Canções do Vento

 

 

26
Jun11

Terceira Cantiga, ao Alves Redol

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Passei no Tejo à noitinha

E vi o Tejo calado.

Trago um barco de papel

Para deitar no mar salgado.

Quando o barco se romper

Deito no Tejo uma estrela.

E a estrela branca lá fica

E nunca mais torno a vê-la...

Que nas águas deste rio

Parte gente pró degredo...

O Povo vive e não morre,

Mesmo cercado de medo!

 

Antunes da Silva, Canções do Vento

 

 

24
Jun11

Carta ao patrão, Ao Carlos de Oliveira e ao Mário Braga

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Parti num dia à aventura

Nesta terra que é madrasta

De ganhões e de malteses.

Sou um servo e um mendigo,

Sei o caminho que sigo,

Sou irmão dos camponeses.

 

Devo à terra a minha sina

De ganhão e de pastor

Sem courelas e sem gado.

Vivo à margem deste mundo

Como qualquer vagabundo

Que nascesse abandonado.

 

Aprendi a ser pastor

Por amor à vida simples

Lá nos campos de olivais.

Conheço as aves dos montes

E bebo em todas as fontes

Destes caminhos reais.

 

Um camponês de Machede

Pegou em mim e levou-me

Para a sua casa do monte.

E toda a gente dizia

Que eu em novo já sabia

Ler a "Maria da Fonte".

 

Mas não sei ler, meu senhor!

Sou um camponês da terra

Que a amanha e a semeia.

Vivo só e malfadado

E sou pastor do seu gado

Nas noites de lua cheia.

 

 

21
Jun11

Canção, Ao Manuel da Fonseca

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Vieram pedir-me uma estrela

E eu não pude apanhá-la do céu.

 

Vieram pedir-me uma maçã

E eu não pude colhê-la da árvore...

 

Quantas estrelas choram na noite

As suas fontes de oiro?

 

Que pássaros novos voaram pela manhã?

Que flor nasceu, de coração cansado?

 

Vieram pedir-me uma estrela e uma maçã

E que foi que eu dei?

Que foi que eu dei?

 

Que sementes de alegria rebentaram na solidão?

Que versos perdi na madrugada?

 

Vieram pedir-me uma estrela

De vendavais coroada.

 

Antunes da Silva, Canções do Vento

 

 

 

16
Jun11

Poesia, Ao Fernando Piteira Santos

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Cobriram a terra

Papoilas vermelhas

Feridas de um sol

De vento suão.

E searas crescidas

Cheiravam ao sonho

Dos campos regados

De ninhos de pão.

 

Cobriam a terra

Dum lago de fogo,

Papoilas vermelhas

Do pó do verão.

E os frutos nasciam

Do eco do vento,

Perfumes de nuvens

E gritos de chão.

 

Antunes da Silva, Canções do Vento

 

 

13
Jun11

A indústria artesanal de tapetes da Turquia

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Vizinha do Irão, dos célebres tapetes persas, a Turquia tem também tradição na tapeçaria. Tive o prazer de visitar uma fábrica de tapetes, onde são usados os métodos artesanais, desde a obtenção do fio de seda extraído dos casulos do bicho da seda. Assisti à execução dessas etapas que iniciam com o depósito dos casulos em água quente - é esta que mata o bicho - até ao enrolar dos fios em enormes meadas. Ou melhor, até à manufactura dos tapetes. Seguiu-se a observação da execução de tapetes por jovens artesãs, em que é usado o nó duplo, mais consistente, que dá um tapete para toda a vida.

Foi-nos explicado que, por este método de fabrico, para um tapete com 8 metros quadrados são precisos três anos de trabalho de uma artesã.! Ora, sendo o salário mínimo na Turquia de cerca de 300 euros, e, com toda a probalidade aquelas jovens não auferirão mais que isso de salário, temos que, só em mão de obra, um tal tapete corresponde a 10.800 euros. Se considerarmos os restantes custos de produção e margens de lucro, dá para entender o preço que atingem tais tapetes...

Foi-nos também informado que o preço de um pequeno tapete de colecção - cerca de 60X40 cm - (como os que nos mostraram) ronda os 80 euros.

Uma particularidade desta visita: O dono deste fabrico conhece Portugal e fala fluentemente o português, tendo sido ele a guiar a visita e a prestar todos os esclarecimentos.

 

 

 

 

 

 

Tapete de colecção

13
Jun11

Festroia 2011 terminou ontem

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Iniciada no dia 3 de Junho, terminou ontem a 27ª edição do Festroia que prestou homenagem à actriz Maria de Medeiros e ao realizador holandês Jos Stelling - ambos receberam um golfinho de ouro.

Nesta edição do Festival Internacional de Cinema de Setúbal foi também alvo de homenagem a cinematografia turca, de que foram exibidas 20 obras.

O filme laureado com o grande prémio (golfinho de ouro), foi Tirza, do holandês Rudolf van Berg.

 

12
Jun11

Mensagem

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Venho dos lados da aurora

Onde vi nascer as fontes

Entre o naufrágio de sonhos

Perfumados de horizontes.

Trago imagens de papoilas

E a fogueira das queimadas.

Os meus olhos já não podem

Olhar as terras lavradas...

Que caminhos de aflição

Onde as nuvens se juntaram,

Erguendo escuras bandeiras

Que à noitinha desfraldaram!

Venho do Sul, do meu povo,

E trago os ventos roubados

À natureza onde vivem

Os camponeses cansados.

Mas também trago a saudade

Das formosas madrugadas:

As cantigas do meu povo

Que em surdina são cantadas.

 

Antunes da Silva, Canções do Vento

 

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