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22
Mar12

Teatro Municipal de Almada adere à Greve Geral!

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Teatro Municipal de Almada adere à Greve e dá entrada gratuita aos cidadãos desempregados

Os trabalhadores do Teatro Municipal de Almada decidiram em plenário aderir à greve geral marcada para amanhã, participando na manifestação desse dia. Foi também decidido que os desempregados terão entrada gratuita na peça Dança de roda, de Arthur Schnitzler, com encenação de Rodrigo Francisco, em cena na Sala Principal do TMA até dia 1 de Abril, de Terça a Domingo.

O Teatro Municipal de Almada estará fechado amanhã, sendo cancelado o espectáculo agendado para esse dia. Os trabalhadores do TMA convidam todo o público e os membros do Clube de Amigos a participarem na manifestação, reunindo-se às 14h00 em frente ao Teatro Nacional D. Maria II.

21
Mar12

Pablo Neruda

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Navega, Portugal, a hora
chegou, levanta
tua estatura de proa
e entre as ilhas e os homens volve
a ser caminho.
A esta idade agrega
tua luz, volta a ser lâmpada
aprenderás de novo a ser estrela.

 

(Final  de Lâmpada Marinha)

21
Mar12

Elogio da dialéctica

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A injustiça avança hoje a passo firme

Os tiranos fazem planos para dez mil anos

O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são

Nenhuma voz além da dos que mandam

E em todos os mercados proclama a exploração

E isto é apenas o começo.

 

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem

Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos

 

Quem ainda está vivo não diga: nunca

O que é seguro não é seguro

As coisas não continuarão a ser como são

Depois de falarem os dominantes

Falarão os dominados

Quem pois ousa dizer: nunca

De quem depende que a opressão prossiga? De nós

De quem depende que ela acabe? Também de nós

O que é esmagado que se levante!

O que está perdido, lute!

O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha

E nunca será: ainda hoje

Porque os vencidos de hoje são os vencedores do amanhã

 

Bertold Brecht

20
Mar12

Escoural, a minha terra - V

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Anteriormente abordei aspectos relacionados com população residente, censos, números. Números esses que correspondem a pessoas concretas, aos Homens e Mulheres que nasceram no pedaço de terra que chamo minha - que chamamos nossa. Ou não tendo nascido, a adoptaram como sua, nela constituíram família, nasceram os seus filhos, os seus netos. Todos constituem a comunidade escouralense, a que pertencem igualmente os que saíram em busca de melhor vida.

Não vou aqui falar do Zé ou da Maria, do Chico ou da Mariana. Nem isso faria muito sentido. Mas vou ousar referir dezenas de apelidos de famílias escouralenses, algumas eventualmente já "extintas", pois todas essas famílias são a história da minha terra. Da nossa Terra.

Ai-Ai, Aita, Alcácer, Almeida, Anes, Arraiano, Azinheirinha.

Baetas, Baía, Bajaca, Balão, Baleizão, Balsinha, Banha, Barbado, Barrambanas,  Barreiras, Barrelas, Barrenho, Barrisco, Barrocas, Besugo, Bicadas, Bombaças, Boleto, Botas, Branco, Brejo, Breu, Búgio.

Cachochas, Cagarelho, Caixinha, Cálá, Calatroia, Caldeira, Caldeirinha, Calhebras, Camelo, Candeias, Canelas, Cangalhas, Canhoto, Canilhas, Capoulas, Caraça, Caracho, Caralinda, Carloto, Caramelo, Carapinha, Caravela, Carraça, Caroço, Carralho, Carreiro, Cartaxo, Catalão, Carvalheira, Carvoeiro, Casbarra, Casquinha, Charneca, Charrua, Chinita, Chocho, Chora, Cinco Réis, Concórdia, Correia, Cortiçadas, Costa, Couro, Covaças, Curraleira.

Dias, Dimas.

Emerênciano, Enguiça, Esfola, Espanhol, Espoginho, Estreitinho.

Fadista, Falca, Falcão, Falmana, Farrica, Farturas, Ferrão, Ferro, Folgôa, Formiga.

Galego, Galhofas, Galo, Galvão, Galveias, Ganhão, Gaspar, Gato, Geraldo, Gião, Gonçalves, Graxinha, Grenha, Grosso, Guindaça.

Heitor.

Ilhéu.

Jeremias, Jorge.

Lage, Laibaças, Laranjinha, Lavado, Leão, Linheiro, Lopes.

Marmeleira, Marques, Masmourra, Melgão, Melrinho, Mendes, Mesquita, Migas, Milhano, Mira, Miradores, Miranda, Monteiro, Moreira.

Narigueta, Neto, Nico, Norval, Nunes.

Paiva, Paivinha, Palmela, Parreira, Parreirinha, Patusco, Pauzinho, Pecurto, Pedrico, Pereira, Picamilho, Piçarra, Pico, Pimenta, Pinelas, Pinto, Pirralho, Pisco, Pitroco, Pomar, Porteiro, Prego, Preguiça, Prisca.

Rabino, Rainho, Ramalho, Romão, Roque, Rosa, Runa, Russo.

Safaneta, Saias, Salsinha, Sampaio, Santos, Sardinha, Saragoça, Sarilho, Searas, Serra, Setúbal, Silva, Simões, Soares, Sousa.

Tangarrinhas, Tarela, Tapadas, Tregeira, Teles, Torradinhas.

Vagarinho, Vaqueirinho, Varandas, Vasques, Velhas, Vermelho, Vida, Vidigal, Vinhas.

Zorro, Zorrinho.

Entre o povo do Escoural sempre existiu uma forte propensão para o apodo. Muito poucos escapam a ter uma ou mais alcunhas. De resto, trata-se de uma tradição bem portuguesa, que no caso do Alentejo foi objecto dum interessante trabalho, Tratado das Alcunhas Alentejanas, de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva (Ed. Colibrí). Há alcunhas assumidas e outras não. Algumas ternurentas, outras ofensivas. Algumas apenas usadas em círculos mais restritos, outras de uso generalizado. Lembro aqui algumas das alcunhas de pessoas do Escoural, no pressuposto de que sempre foram assumidas:

Abaladas, Alcobaça, Alcantara, Alheu, Alhinho, Arcadinho, Bacalhau, Balicha, Barreirense, Batota, Benfeito, Besunta, Brancha, Bicha, Bife, Boga, Boia, Boina, Cabra, Cácá, Cadicha, Cagaita, Caguita, Calcinhas, Cancela, Candão, Carapucetra, Caveirinha, Cerôla, Chapa, Chariça, Cholinha, Doce, Dora, Draga, Droga, Égua, Fezes, Fretes, Galambas, Gansa, Jaroi, Jarreta, Lapeira, Laraitas, Liquitó, Lombeira, Macaco, Maganão, Marreca, Matateu, Migalheiro, Moca, Mosca, Nã, Pá da Ova, Palafofa, Palharó, Palissa, Paloia, Pardala, Parrocha, Passarinho, Patachão, Patola, Pau-Preto, Pegacho, Peleve, Pelúcia, Pêto, Picapau, Piço, Pirica, Poila, Potes, Queimado,  Quimbra, Rachadinho, Remexido, Rijo, Rocha, Rolão, Ruas, Seruca, Serelha, Sola, Sopa, Tamente, Telha, Tonecas, Tónica, Tota, Três-Malhos, Vieira, Vitaminas, Xana, Zanguizarra, Zéla, Zé Balila, Zé da Gata, Zé Macaca, Zêrra, Zézica.

A todos presto o meu respeitoso tributo.

 

 

Este são os meus avós paternos - Mª. Luísa Salsinha "Mª. do Castelo" e Justino Barbado. Foto tirada nos anos vinte.
19
Mar12

Escoural, a minha terra - IV

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População:

Entre 1600 e 1650--      28 baptizados.

Entre 1651 e 1700--      55 baptizados.

1844-------------------    319 resid. do sexo masc., dos 12 aos 60 anos (75 em S. Brissos).

1873------------------- 1.200 almas.

1890------------------- 2.303 habitantes.

1912-------------------    600 trabalhadores rurais, 100 operários diversos, 50 mineiros.

1930------------------- 6.000 habitantes.

1951------------------- 4.017 habitantes.

1961------------------- 3.584 habitantes.

1971------------------- 1.791 habitantes.

1981------------------- 2.276 habitantes.

2001------------------- 1.659 habitantes.

2011------------------- 1.335 habitantes.

Ao longo do tempo o número de residentes no Escoural nunca foi estável. Até 1873 os indicadores são vagos, repare-se que no século XVII falam em baptizados e em 1844 referem residentes do sexo masculino, mas apenas entre os 12 e os 60 anos.O número que poderá ter algum rigor data de 1873, contudo, sendo este ano o da publicação que refere as 1.200 almas, não fica claro qual o ano em que tal número foi apurado. Pode inferir-se, entretanto, que na primeira metade do século XIX a freguesia do Escoural era já uma povoação relevante, a segunda maior do concelho de Montemor. O seu ponto alto em número de habitantes foi 1930. Daí para cá foi perdendo residentes - entre 1960 e 1970 as perdas atingiram cerca de 50% - sofrendo esse fenómeno uma inversão nos anos da Reforma Agrária, para prosseguir depois da derrota desta.

No último censo - 2011 - tem praticamente metade da população que tinha um século antes.

Ao longo dos tempos verificou-se a deslocação sazonal de trabalhadores, sobretudo das Beiras, para o Alentejo. O Escoural foi um dos destinos dessas "levas" de ratinhos, até meados do século XX. A este propósito refira-se o facto de alguns desses trabalhadores optarem por fixar-se, não regressando à sua terra de origem. Jorge Fonseca, no seu estudo Deslocações individuais em Montemor-O-Novo no início do séc XIX - Estudo de Registos de Passaportes, assinala, no que se refere à freguesia do Escoural, a residência aqui, em 1844, de 21 naturais de localidades a Norte do Tejo (Aveiro, Coimbra, Fermentelos, Granja, Guarda, Torres Novas) e precisa as profissões que exerciam (trabalhadores, pastores, lavradores, abegãos, carvoeiros, quintaneiros, sinjaleiros, tecelão) e ao universo de homens entre os 12 e os 60 anos residentes - 319 - os não naturais correspondiam a 15,19%.

Dos Escouralenses mais velhos, quem não se lembra da Ti Maria Galega, uma das beirãs que por cá ficaram?

Vale a pena uma outra referência: sobre escravos residentes no Escoural. Consta em Escravos no Sul de Portugal séc. XVI XVII, Jorge Fonseca, a existência no séc- XVII de 8 escravos entre a população baptizada, o que correspondia a 14,54%. Uma curiosidade: Na região, na primeira metade do séc. XVII, para comprar um escravo pagava-se por Homem 39.073 reis, Mulher 40,150 reis e Criança 20,310 reis. Estes os valores que os seus novos donos tinham de pagar! Outra curiosidade: uma égua custava 9,027 reis, um boi 6,318 reis, um vaca 4,742 reis um burro 3,370 reis. Uma última curiosidade: Os salários praticados na época eram, carpinteiro e pedreiro 150 reis, servente de pedreiro 100 reis, trabalhador de enxada 100 reis, podador 120 reis mais conduto mais uma canada de vinho.

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