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24
Mai13

Ministra reduzida a deputada com mandato suspenso!

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É só espectáculo! Indecoroso! Desleal entre pares! Espectáculo que este governo de fantoches nos oferece! Pena é não se limitarem a isso, do mal o menos...

Porque a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, aplaudiu a aprovação, na generalidade, pelo Parlamento de uma proposta sobre coadopção, o seu colega ministro Luís Marques Mendes, desvalorizou a opinião daquela, afirmando que é "uma opinião pessoal de uma deputada eleita, com mandato suspenso porque está a desempenhar funções governamentais". Quando não se respeitam uns aos outros, como podem respeitar o país?

Com todo o respeito que tenho pelos palhaços - profissionais que admiro imensamente - apetece-me dizer que Mendes não passa de um palhaço reles. É que esta tomada de posição do ministro da presidência e dos assuntos parlamentares é o espelho do bando que detêm o poder. Não me espanta nada que outro qualquer do bando se siga, declarando outra coisa completamente diferente daquilo que disseram Teixeira da Cruz ou Mendes.

23
Mai13

Memória - a propósito de Catarina

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Maio. Foi o mês em que Catarina foi assassinada nos campos de Baleizão. A propósito da efeméride, escreveu Odete Santos um artigo, hoje publicado no jornal Avante! Pela sua riqueza atrevo-me a divulgá-lo, na íntegra, neste espaço. É extenso, mas vale a pena ler.

 

Esta é a tragédia da Liberdade! (1)

 

(revisitando o poema Catarina Eufémia de Sofia de Mello Breyner Andersen)

 

No dia 19 de Maio de 1954 foi assassinada a tiros da pistola metralhadora do tenente Carrajola da GNR, a ceifeira Catarina Eufémia que com algumas companheiras pretendia demover um rancho de trabalhadores rurais de trabalhar, convencendo-os a aderir à luta por salário menos baixo.

Segundo a versão oficial a morte aconteceu por mero acaso e deveu-se ao automatismo da arma que o Carrajola encostava ao corpo de Catarina disparando em seguida, depois de ter afastado o corpo do filho que ela trazia ao colo.

Esta era a justiça do velho abutre (para usar uma expressão de Sofia de Mello Breyner Andersen referindo-se a Salazar) que "é sábio e alisa as suas penas/ A podridão lhe agrada e seus discursos/ Têm o dom de tornar as almas mais pequenas"

O crime cometido por Carrajola ficou impune. O tenente da GNR nunca foi julgado. E, por isso, sobre aquele dia 19 de Maio de 1954 disse a poeta Sofia terminando o seu belíssimo poema sobre Catarina Eufémia:

 

Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste (verso 15 do poema)

E a busca da justiça continua (verso 16)

 

 

Antígona

Sofia de Mello Breyner estabelece um paralelismo entre a história de Antígona (da mitologia grega) e a vida real de Catarina Eufémia.

Antígona, tem mais dois irmãos (Polinices e Etéocles) e uma irmã Isménia.

Os dois irmãos envolvem-se numa luta fratricida pelo poder em Tebas, morrendo os dois. O rei de Tebas, Creonte, manda que Eteócles seja sepultado, mas proíbe que sejam feitos funerais a Polinices sob pena de morte. Porque, segundo a crença dos gregos, quem não fosse enterrado vaguearia 100 anos sem poder passar para o reino dos mortos. Antígona, que quer dar sepultura a seu irmão, rouba o corpo e tenta enterrá-lo com as próprias mãos, sendo presa.

Ainda que longínqua, não pode deixar de estabelecer-se uma relação com o facto de o fascismo, para impedir um levantamento popular, ter sepultado Catarina no cemitério de Quintos, desviando o funeral de Baleizão.

 

Catarina, mulher guerreira

Membro do Comité Local do PCP de Baleizão segundo o camarada António Gervásio, Catarina Eufémia desafia o fascismo ao encabeçar um grupo de trabalhadoras rurais alentejanas.

Catarina é mulher combatente, é a própria personificação da liberdade quando enfrenta o tenente Carrajola. Ela é o próprio Alentejo em luta contra o fascismo. Ela é o próprio país em luta contra o velho abutre.

Tinha chegado o tempo

Em que era preciso que alguém não recuasse

E a terra bebeu um sangue duas vezes puro

Porque eras a mulher e não somente a fêmea

Eras a inocência frontal que não recua (versos 10 a 14 do poema)

Catarina, mulher de coragem, que não recua. Catarina que se levanta da sua animalidade de fêmea, derramando o seu sangue duplamente purificado, porque é o sangue de uma combatente e o sangue do filho que trazia no ventre.

Para compreendermos os versos 5 a 9 do poema recorremos de novo à história de Antígona que tinha uma irmã de nome Isménia:

"Pois nãp deste homem por ti

E não ficaste em casa a cozinhar intrigas

Segundo o antquíssimo método oblíquo das mulheres

Nem usaste de manobras ou de calúnia

E não serviste apenas para chorar os mortos"

Isménia na tragédia grega, representando a generalidade as mulheres, considera um acto de loucura a rebeldia de Antígona. Isménia representa as mulheres que estão sempre atrás dos maridos. As que passam a sua estreita vida a cozinhar intrigas usando o tradicional método das mulheres que não usam de rectidão e de frontalidade. Que recuam ao contrário de Catarina. Que não lutam contra a injustiça.

Antígona/Catarina é o contrário do modelo feminino muito habituado a manobras e intrigas, resultado da vida da estreiteza do seu lar. A resistência e luta de Catarina vão muito para além da necessidade de prestação de serviços fúnebres aos mortos.

E porque Catarina é o contrário do arquétipo feminino dos tempos do fascismo, porque Catarina luta pelo pão e pela paz, ela é sacrificada no altar da liberdade.

E por isso que a tragédia de Catarina é, como a tragédia de Antígona, a tragédia da liberdade!

 

A conquista da Liberdade e da Justiça

 

Nos primeiros quatro versos do poema, Sofia medita sobre a concepção de Justiça dos gregos, retomando esta reflexão, como vimos no verso final (E a busca da Justiça continua):

O primeiro tema da reflexão grega é a justiça

E eu penso nesse instante em que ficaste exposta

Estavas grávida porém não recuaste

Poorque a tua lição é esta: fazer frente

Na verdade, para os gregos o ideal de Justiça confundia-se com a própria alma. Daí que, normalmente se desse como assente a existência de uma lei divina, imutável.

Apesar da filosofia de um pré-socrático, Heráclito, considerado o pai da dialéctica, segundo o qual nada é imutável - Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio. E ainda segundo o qual existe uma oposição entre os contrários que conduz à harmonia. Sendo a justiça discórdia e sucedendo-se todas as coisas em consequência da discórdia e da necessidade.

A heroicidade de Catarina (uma fdas poucas heroínas mulheres da História de Portugal) constitui um marco importante para a construção de uma ideia da Justiça, edificada através dos tempos com sangue, suor e lágrimas do Povo de que Catarina é legítima representante.

Porque a ideia da Justiça muda através dos tempos.

E é por isso que, na esteira de Catarina, continuamos em busca da Justiça.

 

1) Este título foi extraído de uma das falas de um elemento do coro (um Velho) da tragédia Antígona escrita e encenada por António Pedro para o TEP (Teatro Experimental do Porto)

22
Mai13

A Mãe Gata

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(lápis s/papel, 14,5X13,5 cm)

"a realidade social, em toda a sua complexa riqueza, suscita sentimentos, reacções e ideias que estão necessariamente presentes, mesmo que silenciosas e ocultas, no acto de criação artística. Não há obra de arte que não esteja impregnada de significações sociais."

Álvaro Cunhal

20
Mai13

...

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"A duração e a universalidade do valor estético reconhecido e incontestável de obras de arte ao longo de séculos e milénios de história ultrapassam profundas transformações  sociais e acompanham o homem em toda a sua vida histórica conhecida."

 Álvaro Cunhal

20
Mai13

Opiniões: José Pacheco Pereira

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"não há governo, não há primeiro-ministro, há um ajuntamento de pessoas, cada uma a tratar da sua carreira política."

(Em entrevista ao jornal de Negócios)

Eu acrescentaria: e a tratar,  cada um, sobretudo da sua vidinha...

18
Mai13

Malfeitorias do PSD/CDS, analizadas por Eugénio Rosa

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"A análise do período 2007-2013 e, em particular, do da "Troika" e do governo PSD/CDS, revela uma destruição maciça do emprego em Portugal (...) . Em 6 anos (1007-2013) foram destruídos 702,4 mil, mas com a "troika" e o governo PSD/CDS tal tendência acelerou-se tendo sido destruídos 403,6 mil empregos nos dois últimos anos (65,6% do total). E nos últimos dois trimestres (4º. T-2012 e 1º T-2013) foram destruídos 232 mil empregos o que revela que o ritmo de destruição está a aumentar. Por essa razão, o número de portugueses com emprego tem diminuído significativamente (...). Entre o 1º trimestre de 2011 e o 1º. trimestre de 2013, portanto em dois anos de "troika" e de governo PSD/CDS passou de 4.865 mil para 4.435 mil, ou seja, diminuiu em 432,6 mil, o que determinou que dezenas de milhares de famílias tenham ficado sem qualquer rendimento. Outro aspecto que o estudo mostra (...) é uma forte correlação positiva entre a variação do PIB e do emprego ( o emprego cresce apenas com aumentos significativos do PIB), e uma forte correlação negativa entre o PIB e a taxa de desemprego (quando o PIB cai a taxa de desemprego dispara não se verificando qualquer alteração significativa nesta tendência com aumentos reduzidos do PIB). Isto é esquecido por incompetência ou para enganar os portugueses por Vítor Gaspar e "troika" nas suas previsões."

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