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16
Nov13

Setúbal, Bela Vista. Um bairro habitado por Gente

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Cama de Gato, Bela Vista, um fim do mundo. Três filmes em exibição no auditório Charlot, Setúbal e no Cinema City Alvalade, em Lisboa. Realizados por Filipa Reis e João Miller Guerra, os dois primeiros e Pedro Pinho, o último. E, hoje fui ao cinema ver estes três filmes. Gostei. Os interpretes/personagens são habitantes da Bela Vista, bairro tão mal afamado, pelos piores motivos. 
Não moro assim tão longe da Bela Vista. Apenas a uns quinze minutos de caminhada. Atravesso frequentemente a Bela Vista, quando me desloco ao parque com o mesmo nome, espaço - enorme - para andar, correr, praticar manutenção no circuito existente, para ler, ou simplesmente para estar, descontrair.
Algumas caras, dos filmes, reconheci-as, da cidade, ou simplesmente do bairro. E gostei. O que os filmes mostram são seres humanos comuns, uma Juventude frustrada a quem faltam inserção e trabalho, e Homens e Mulheres de trabalho marcados pelas agruras da vida. A Bela Vista é um mundo! Impera a diversidade étnica! Lá vivem brancos, pretos e mestiços. São cabo-verdianos, ciganos, angolanos, são-tomenses transmontanos, lisboetas, setubalenses, alentejanos, ucranianos, romenos, moldavos, sei lá que mais.
Há maus hábitos? Há. Mas isso não pode ser usado como estigma para toda aquela população. Que não é um antro de criminosos. Há irreverência, rebeldia? Há. E que mal tem isso? (eu próprio revi-me nalgumas dessas irreverências quando jovem). O mal é, quando a irreverência e a rebeldia acabam e dão lugar ao crime.
Está mal conhecido todo o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Câmara Municipal conjuntamente com a população, na base do programa nosso bairro nossa cidade. Ouvi recentemente uma intervenção de Carlos Rabaçal, vereador da CMS, onde referiu a eleição de 1 a 2 representantes em 153 prédios dos bairros sociais da Bela Vista; referiu os progressos no diálogo e empenho dos moradores na recuperação dos prédios, pátios e logradouros; referiu igualmente a determinação da maioria dos moradores de não permitirem a vandalização do que já foi feito.
Voltando aos filmes, que recomendo, chegam a ser comoventes, com as vidas pessoais e familiares que mostram. Do final de Bela Vista, retenho as imagens daquele senhor que tem na varanda uma formidável horta e expressa todo o empenho e serenidade a cuidar das couves, de que retira as folhas para o caldo, ou o seu afagar delicadamente uma exuberante flor.
Sou um sonhador. Mas, convicto de que o sonho será transformado em vida! Por isso, estou convencido que a população da Bela Vista superará todos os problemas com que se defronta. Mas não depende apenas dessa população. Depende também de políticas sociais inclusivas,  da criação de empregos, de desenvolvimento sustentado.
14
Nov13

Guimarães, Capital Europeia da Cultura e os "tachos" que continuam

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A Fundação Cidade de Guimarães foi criada para gerir a Guimarães Capital Europeia da Cultura, que decorreu durante o ano de 2012. Ao que consta, a referida FCG manter-se-á em funções até ao final de 2015. Lá devem haver razões que o justifiquem... Só que, esse prolongamento no tempo continua a ter custos, e que custos! É que, o pessoal do respectivo conselho de administração paga-se principescamente.
O presidente do C.A. - Dr. Jorge Sampaio - recebe de salário mensal 14.300 euros mais 500 euros por reunião mais um carro mais um telemóvel. O mesmo senhor que já recebe a pensão de ex-PR e respectivas mordomias!
Depois, há mais dois administradores executivos (Carla Morais e João B. Serra) com o salário mensal de 12.500 euros mais 300 euros por reunião mais carro mais telemóvel!
Há ainda vogais administrativos e 15 componentes do Conselho Geral (entre os quais Adriano Moreira e Freitas do Amaral). 
Toda esta gente mamou, mama e vai continuar a mamar até ao fim de 2015!
Para um país, cujo Povo tem sido e continua a ser esmifrado implacavelmente, não está nada mal...
12
Nov13

Foie gras, "manjar dos deuses"

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"Guardiões do terreno e uns excelentes jardineiros no que diz respeito à manutenção da relva, são sobretudo animais de companhia de excepção que estabelecem laços com os humanos como nenhum outro animal de quinta."
(Em arcadenoévivapets)
São estes simpáticos animais que sofrem de tratamento bárbaro para prazer dos humanos - são alimentados forçadamente (como na imagem acima) de maneira a obter-se um aumento anormal do seu fígado, de que se fabrica a iguaria que dá pelo nome de foie gras, produto gourmet tão apreciado por algumas pessoas.. Mas que, afinal, não é sequer um alimento saudável.
Ainda uma curiosidade: A civilizada França, país do foie gras, tem esta iguaria consagrada na sua legislação como património cultural e gastronómico.
10
Nov13

Este 10 de Novembro foi muito especial!

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(
(Foto de Vitor Dias)
Especial sim,  foi assinalado o 100º. aniversário do nascimento de um grane cidadão do mundo - Álvaro Cunhal! O Campo Pequeno ficou repleto de Mulheres e Homens, de todas as idades, para recordarem e homenagearem esse cidadão - um dos seus - cuja vida inteira foi preenchida com a luta pelos mais belos ideais, que são a liberdade e a emancipação humana.
Uma homenagem, cujo sentido foi a afirmação da disposição e empenho nas mesmas causas que foram de Álvaro Cunhal. Uma celebração em que, a par da política, a cultura esteve presente, com a Brigada Vitor Jara, Samuel e Luísa Basto.
 
08
Nov13

Península de Setúbal, crescimento demográfico

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Num documento sobre desenvolvimento económico da Península de Setúbal, aqui abordado há dias, é feita referência à fixação de novos habitantes, em consequência da criação de postos de trabalho, decorrente da instalação de grandes unidades industriais na região. Com essas unidades industriais, surgiram inúmeras empresas subsidiárias, a construção civil teve inevitavelmente uma expansão gigantesca e o crescimento dos vários sectores de serviços conduziram também para a criação de um elevado número de postos de trabalho. Operaram-se substanciais alterações na qualidade de vidas populações, embora tenham surgido novos problemas sociais, ainda hoje não resolvidos. Outro fenómeno importante, produziu-se ao nível das tradições e culturas trazidas das regiões de origem, expressas num fervilhar de actividades.
Para se ter a ideia desse fluxo demográfico, recorro a dados dos Censos, de 1930 a 2011:
  • Concelho              1930          1960          1981          2011
  • Almada             23.694       70.698     151.783     174.030
  • Alcochete           6.656         9.270       11.246       17.569
  • Barreiro            21.030       35.088      88.052       78.764
  • Moita                 9.486        29.110      53.240       67.449
  • Montijo            14.832        30.217      36.849       51.220
  • Palmela           18.692        23.155      36.933       62.805
  • Seixal              10.088        20.470      89.169     184.269
  • Sesimbra         13.276        16.837      23.103       49.500
  • Setúbal           50.456        56.344      98.366     121.185
07
Nov13

Até amanhã, camaradas - estreia hoje

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Depois de ter sido série televisiva, Até amanhã camaradas, filme de Joaquim Leitão, estreia hoje nos cinemas.

Baseado no romance épico de Manuel Tiago (Álvaro Cunhal), o filme tem argumento de Luís Filipe Rocha, produção de Tino Navarro e interpretação de um numeroso naipe de actores, nomeadamente, Paulo Pires, Gonçalo Wddington, Clara Chambel, Leonor Seixas, Cândido Ferreira, São José Correia, Adriano Luz e José Wallenstein.
06
Nov13

Vá lá, um pouco de humor, não faz mal a ninguém...

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Quem não cumpre os compromissos arrisca envolver-se em embaraços! Ora vejamos o que aconteceu ao Pereira:

 

O Pereira era um alto funcionário da corte do Rei.
Há muito tempo, nutria um desejo incontrolável de beijar os voluptuosos seios da Rainha até se fartar.
Todas as vezes que tentou, deu-se mal.
Um dia revelou o seu desejo a Gaio, principal médico da Corte e pediu que ele fizesse algo para ajudá-lo.
Gaio, depois de muito pensar e estudar o assunto - concordou, sob a condição de Pereira lhe pagar mil moedas de ouro.
Pereira aceitou o acordo, que não foi formalizado por escrito.
No dia seguinte, Gaio preparou um líquido que causava comichões e derramou-o no soutien da Rainha, enquanto esta tomava banho.
Logo a comichão começou e aumentou de intensidade, deixando o Rei preocupado e a Rainha desesperada.
A Corte fazia consultas a médicos, quando Gaio disse que apenas uma saliva especial, se aplicada por quatro horas, curaria o mal.
Gaio também disse que essa saliva só poderia ser encontrada na boca do Pereira.                                 
O Rei ficou muito feliz e então chamou Pereira que, pelas quatro horas seguintes, se fartou de gozar, beijando à vontade as suculentas e deliciosas mamas da Rainha.
Lambendo, mordendo, apertando e passando a mão, ele fez finalmente o que sempre desejou.
Satisfeito, encontrou-se no dia seguinte com o médico Gaio.
Com o seu desejo plenamente realizado e a sua libido satisfeita, Pereira recusou-se a pagar ao médico Gaio.
Pereira sabia que, naturalmente, Gaio nunca poderia contar o facto ao Rei.
Mas Pereira subestimou o médico.
No dia seguinte, Gaio colocou o mesmo líquido nas cuecas do Rei e… o Rei… mandou chamar o Pereira!!!  

 

 (Foi o meu amigo Luís Matos que me enviou)

05
Nov13

Península de Setúbal - desenvolvimento económico

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..., importa salientar que, no pós-guerra de 1939-45 e até ao final da década de 50 do século XX, a ligação do Barreiro (e da Companhia União Fabril-CUF) ao surto de crescimento industrial, controlado mas a que Portugal não poderia fugir, por mais conservadoras que fossem as opções ideológico-políticas, incapazes de susterem o processo histórico no seu inelutável desenvolvimento.
Toda essa década de 50 foi marcada por transformações que, em Portugal, se reflectiram na caracterização económica da região. Como simples referências, a a começar por uma exterior, a nacionalização do Canal do Suez pelo Egipto, que desencadeou uma grave crise internacional e obrigou a alterar rotas, sobretudo petrolíferas, que, por sua vez, levaram a exigir novo tipo de embarcações, a construir e a exigirem manutenção, bem como pontos de passagem-paragem, que estiveram na origem de uma vocação que a região veio a concretizar, com os seus portos e estaleiros, que viriam a ter grande importância na evolução económica e política da região; (...) no plano interno, os Planos de Fomento, iniciados em 1954, de que o 2º - para 1959 a 1964 - teve um relativo cunho desenvolvimentista, a que não faltavam posições quanto à necessidade de transformações estruturais na agricultura, e em que, paralelamente, se incluiu a criação da Siderurgia Nacional, verdadeiro marco nesta caracterização, pela temática da localização de indústrias. A localização da Siderurgia Nacional foi muito polémica pois, havendo alternativas, a opção Seixal-Coina não foi pacífica nem regionalmente nem politicamente. O próprio Presidente do Concelho teria levantado seriíssimas reservas quanto à localização na região, pela proximidade do Barreiro e pela inevitável criação de uma mancha de proletariado que, segundo ele, se deveria procurar prevenir ou até evitar.
Mas os estudos técnicos, confrontando acessibilidades e o ratio transporte de matérias primas/transporte de produtos acabados, acabaram por ser decisivos. E a região, com o eixo Almada (já com o Arsenal e com os estaleiros) - Seixal (com a Siderurgia) - Barreiro (com a CUF), a que juntaria Setúbal também com estaleiros, tornou-se, na verdade, uma região de forte característica industrial durante a década de 60 e de 70, em condições sociais e políticas novas depois de 1074.
Toda a década de 60 e os primeiros anos da década de 70 foram anos de transformações estruturais na economia portuguesa, por efeito da guerra colonial e da emigração, que implicaram uma transferência do sector primário para o sector secundário, (...) Nesta evolução, a Região de Setúbal está no centro das transformações mais significativas e a evolução demográfica reflecte-o claramente, como região atractiva de população, de forma irregular e polarizada em áreas de implantação de indústria metalomecânica pesada, com efeitos secundários nesses concelhos e em concelhos próximos enquanto zonas urbanas e de alojamento.
Com o 25 de Abril de 1974, durante o decorrente período de mudanças revolucionárias, a Região foi, enquanto tal, protagonista principal. No caminho e na proximidade da zona da Reforma Agrária, com alguns concelhos do distrito de Setúbal por ela abrangidos, assim como do porto e da área industrial de Sines, toda a estratégia económica nacional a adoptar tinha de passar pela estratégia local, regional da região de Setúbal.
Estas considerações, são do economista Sérgio Ribeiro, e foram retiradas dum texto intitulado breve nota sobre evolução histórica de um documento de que só conheço algumas folhas desgarradas. Dão-nos um retrato da região de Setúbal do período entre a segunda guerra mundial e o 25 de Abril de 1974.  A caracterização do SR, permite perceber o quadro, por um lado, de uma transferência massiva de população de outras regiões, e por outro lado, como  viviam, trabalhavam e lutavam essas populações, onde, até à implantação de algumas importantes indústrias existiam significativas bolsas de fome endémica. Ressalta, ainda, que esta industrialização não assentou em princípios sustentáveis, com consequências que são do conhecimento geral.
04
Nov13

Carta a Ângela, poema de Carlos de Oliveira, cantado por Luís Cília

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Carta a Ângela


Para ti, meu amor, é cada sonho 
de todas as palavras que escrever, 
cada imagem de luz e de futuro, 
cada dia dos dias que viver. 

Os abismos das coisas, quem os nega, 
se em nós abertos inda em nós persistem? 
Quantas vezes os versos que te dou 
na água dos teus olhos é que existem! 

Quantas vezes chorando te alcancei 
e em lágrimas de sombra nos perdemos! 
As mesmas que contigo regressei 
ao ritmo da vida que escolhemos! 

Mais humana da terra dos caminhos 
e mais certa, dos erros cometidos, 
foste de novo, e sempre, a mão da esperança 
nos meus versos errantes e perdidos. 

Transpondo os versos vieste à minha vida 
e um rio abriu-se onde era areia e dor. 
Porque chegaste à hora prometida 
aqui te deixo tudo, meu amor! 

Carlos de Oliveira, in “Poesias”


 

 


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