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20
Jan14

Claudio Abbado

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Morreu hoje, aos 80 anos. Um grande músico. Um grande cidadão. Um dos meus sonhos era ter a oportunidade de o ver dirigir ao vivo. Sonho não realizado. Dirigiu as mais conceituadas orquestras do mundo. E dominava um vastíssimo repertório.
18
Jan14

Tem a palavra Jorge Messias: Vaticano, ONG e Agronegócio em Portugal

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"A um só tempo, o neocapitalismo vai desmontando as instituições estatais e lançando ou expandindo as bases de uma sociedade autoritária e de exploração do homem pelo homem. É o caso do que está a acontecer na área agroalimentar que os illuminati transformam, pouco a pouco, num instrumento produtor da fome mundial.
Não é apenas em Portugal mas por toda a Europa, que os campos vão ficando ao abandono, frutos da ganância do capitalismo. Baixa o preço das parcelas de terras e as autarquias e governos corruptos fecham os olhos às violações das leis. Por isso, na fase actual do agronegócio neocapitalista, o grande capital limita-se a comprar searas e florestas e a deixá-las em pousio, a aguardarem que os preços de venda dos bens alimentares e afins subam nas bolsas de valores.
Assim se entendem os dados recentemente fornecidos pelo The Guardian, um órgão de comunicação britânico de grande reputação mundial. Actualmente, cerca de metade das terras produtivas da União Europeia foram já compradas por grandes capitais com raízes nos EUA, na China, no Médio Oriente ou nas gigantescas reservas financeiras criadas pelos hedge funds promotores da especulação neocapitalista. Na Alemanha dos anos 60, havia um milhão e 200 propriedades agrícolas, hoje reduzidas a 299 mil. Na Ucrânia, 10 latifundiários controlam perto de três milhões de hectares. Em Inglaterra, 70% das terras produtivas pertencem a grandes lóbis cotados em bolsa. Surpreendentemente, porém, os tempos de crise são surpreendidos com os lucros financeiros das grandes fortunas e de certos bancos: O Banco do Vaticano (IOR) declara resultados líquidos superiores a 86 mil milhões de euros; o Banco do Brasil ganha sete biliões, o grupo de bancos da norte-americana Goldman Sacgh regista, num só trimestre, lucros de 1,51 mil milhões de dólares!
Todos estes milagres surgem em contra-corrente e num mundo dominado pela fome, pela miséria, pelo desemprego e pela queda ou estagnação das economias. São lucros fáceis, sobretudo gerados pela especulação financeira com os preços do petróleTexto publicado no jornal Avante!, de 16/1/2014o, obrigatoriamente pagos em dólares, ou com as fraudes das swards ou das commodites do agronegócio, roubalheiras baseadas em coisa nenhuma. O neocapitalismo destrói sabendo, de antemão, que jamais será capaz de reconstruir.
Com Papa Francisco ou sem Papa Francisco, a igreja é unha com carne com o famigerado capitalismo selvagem ou novo capitalismo que, no entanto, afirma condenar. Se não denuncia os seus crimes é porque, quase sempre, também ela, a igreja, os pratica. Dá-lhes cobertura e aplana os seus criminosos caminhos futuros na Comunidade Europeia, na Mercosul, na unificação da banca, na legalização dos transgénicos, numa palavra, onde quer que a sua contribuição seja necessária à vitória final do imperialismo dos monopólios."
Texto publicado no jornal Avante!, de 16/1/2014
17
Jan14

Panteão?

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Se a moda pega, sempre que morra uma qualquer figura pública, lá vem a exigência de  ir para o panteão. Então, não haverá panteão que chegue para tanta gente...

A propósito da morte do Eusébio, que eu admirava e respeitava, disparou a paranóia popular. E deixem lá que diga, algum oportunismo político... 

Adiante.

Muitos, não se conformam porque tal ou tal seu herói não repousa no panteão. Os mortos merecem-me muito respeito. E a obra que deixaram. E os exemplos que legaram às gerações vindouras. Mas francamente, acho que o lugar dos mortos é nos cemitérios. Em conformidade, nem o Eusébio, nem a Sofia de Mello Breyner etc.., devem ir para o panteão. Nem os que já lá estão, deviam ter ido. Simplesmente, não havia panteão!

16
Jan14

Armas químicas

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A Síria era possuidora de um considerável arsenal destas armas aterradoras. Andam agora em bolandas sobre mares pacíficos e, neles vão ter o seu cemitério! Há uma elevada probalidade de serem "trasladadas" de uns barcos para outros em território português. Pelo menos os governantes portugueses nacionais e insulares e mais o PS já "abriram as pernas todas" ao pedido dos seus amigos gringos! É de nos arrepiarmos, só de se imaginar um pequeno erro nas operações.
Do que a grande indústria de guerra é capaz: fabricar estas monstruosidades!
Qualquer Estado possuidor da porra destas armas é, nnecessariamente, um Estado criminoso!
15
Jan14

Este, também é dos que fazem o contrário do que prometem

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Estou a referir-me ao fulano que está de turno no palácio do Eliseu. François Hollande, de seu nome. Quando na campanha eleitoral  prometia a diferença (em relação ao medíocre Sarkozy) quase toda a gente embandeirou em arco. Então, expressei as minhas dúvidas. O que aconteceu depois da eleição, todos conhecem. Substituiu na perfeição o par com a madame Merkel. E, em tudo o resto (privacidade à parte) é o que se vê. Decididamente, o homem não presta! Veja-se a ligeireza usada pela sua França ao acusar o governo sírio de ter usado armas químicas... Enganou os seus eleitores. Apenas cumpre bem a defesa dos grandes interesses. Está dando o bom contributo para o descrédito da política. E para a subida da extrema direita também...
13
Jan14

A Estrela de Seis Pontas

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Manuel Tiago escreveu. Carlos Curto, director do TAS - Teatro de Animação de Setúbal,  concebeu a teatralização e encenou. José Nobre, com a participação do próprio Carlos Curto, representa no palco do teatro de Bolso, do TAS, desde o último dia 10. A não perder.
12
Jan14

Álvaro Dias - Percursos

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Na Casa da Cultura de Setúbal, foi ontem aberta uma exposição de fotografias, de Álvaro Dias, ocasião para uma singela homenagem a este prestigiado setubalense.
Álvaro Dias nasceu em Setúbal há 87 anos. Afirmou-se como um homem vertical, solidário. Respeitado empresário do sector gráfico, tem sido toda a sua vida um consequente lutador pelas mais nobres causas: A liberdade, a democracia, a justiça e o progresso sociais. Opositor à ditadura fascista (conheceu as prisões da PIDE) , participante activo na construção do regime democrático, nomeadamente do Poder Local Democrático, militante do PCP. Toda a sua vida esteve ligado ao associativismo popular, particularmente no histórico Clube de Campismo de Setúbal e na APPACDM. Paralelamente foi um fotógrafo amador brilhante, já homenageado pela Universidade Popular de Setúbal.
As fotos agora expostas na Casa da Cultura, datam dos anos 40 do século XX*. Um preto/branco admirável, carregado de humanismo, em que o sujeito, são os Trabalhadores e o Mar.
A exposição estará patente ao público até 4 de Fevereiro.
*Quis o acaso que na véspera tenha comprado e iniciado a leitura de As Mulheres da Fonte Nova, de Alice Brito, um trabalho ficcionado de Setúbal e das suas gentes, precisamente, dos mesmos anos 40. Ler esta obra, belamente escrita, e admirar as imagens de Álvaro Dias é uma coincidência interessantíssima.
11
Jan14

Comandante Conrado finalmente libertado!

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Neste sítio se falou de Julian Conrado, cantautor e guerrilheiro. Se denunciou a sua permanência na prisão. Se manifestou solidariedade. Se exigiu a sua libertação. Finalmente chega a notícia dessa libertação. Chega também a notícia de que, de imediato assume o seu lugar de lutador por uma Colômbia livre, democrática, progressista. Agora como membro da delegação das FARC nas negociações que decorrem em Havana. Força Julian Conrado!
11
Jan14

Chaminés de antigas fábricas de conservas de peixe

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O mar de Setúbal, rico em peixe, favoreceu a existência na cidade de um relevante centro piscatório, e, consequentemente, sempre foi importante o processamento do pescado. Remontam ao período romano os vestígios mais importantes - as tulhas de salga (chamadas cetárias) que podem ser vistas no edifício do Turismo onde antes funcionava a Comissão de Turismo Costa Azul. O famoso garum, tão apreciado pelas elites romanas, era levado para Roma em ânforas de barro. De então para cá, ao longo dos tempos, tal actividade sempre teve considerável expressão em Setúbal. Conheceu um desenvolvimento significativo nos finais do século XIX com a vinda de empresários franceses.

O desenvolvimento da indústria conserveira deu origem ao surgimento de empresas de latoaria, tipografia e litografia.

A indústria conserveira foi durante décadas a única actividade industrial local, que coexistia com a pesca e a extracção de sal.

O cheiro a peixe apanhava os narizes desprevenidos ou ignorantes, ignorantes das artes industriais da cidade. O cheiro, quando o vapor cozia o peixe, cobria a cidade com uma violência que só desaparecia à custa de muito hábito e de nariz muito batido naqueles odores de cozedura.*

Gerações sucessivas de setubalenses tinham aí o seu ganha pão. Então, a Mulher era vítima de escandalosa exploração - na segunda década do século XX, enquanto o soldador auferia 800 reis, os moços 550 reis e os rapazes 240 reis, as Mulheres ficavam-se pelos 160 reis! Para além disso, se não havia peixe não havia trabalho. E sem trabalho não havia salário.

As fábricas não tinham horário de funcionamento. Abriam ao ritmo da dádiva do mar. Quando o mar estava generoso e entregava às traineiras toneladas de sardinha ou cavala, toda a máquina de produção conserveira se oleava e começava frenética naquelas jornadas intermináveis. Intermináveis o tanas. Intermináveis até terminarem, que depois podiam ser vários dias sem salário.*

Em 1897 havia em Setúbal 26 unidades industriais conserveiras. Na segunda década do século XX atingiu as 85 fábricas (convenhamos que, é expectável algumas delas não passarem de fabriquetas sem as mais condições elementares de laboração e usando métodos rudimentares) cuja produção ultrapassava as 50.000 caixas (100 latas cada cx). Em 1920 foram identificadas 130 fábricas em Setúbal, com cerca de 10.000 trabalhadores, dos quais cerca de 95% eram Mulheres e Mulheres/crianças.

A cidade dos anos 40 tinha ainda muita fábrica a funcionar. Já não era aquela avalanche que se tinha sentido há duas ou três décadas atrás. Nessa altura parecia que as fábricas de conservas tinham sido semeadas por toda a parte. Depois foram decrescendo a pouco e pouco.*

Em 25 de Abril de 1974 era ainda significativo o número de empresas em laboração que constituíam o sector, embora em franco declínio! Hoje, não há uma sequer! Tal como as fábricas, a pesca foi sendo matada pelas políticas desastrosas que têm sido praticadas pelos sucessivos governos.

Resta a memória. Restam inúmeras chaminés espalhadas pela cidade e ainda algumas ruínas do que antes foram fábricas. Excepção é a fábrica Prienes, adquirida pelo município, que alberga o Museu do Trabalho Michel Giacometti, contendo abundante material da indústria conserveira. Museu a merecer uma visita, que cada um certamente considerará enriquecedora.

*Em As Mulheres da Fonte Nova, de Alice Brito

 

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