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divagares

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29
Nov14

Tem a palavra um Homem do Cante: Pedro Mestre

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Não julgues, por eu cantar

Que a vida alegre me corre

Eu sou como o passarinho

Tanto canta até que morre

 

O cante, por ser património imaterial, não deixa de ser o que é. Não vamos estar todos os dias na televisão. Continua a ser do povo, não deixa de ser melancólico e monótono e tudo o que dizem dele e é preciso ter atenção, porque vão surgir oportunistas que vão querer apresentar um cante que não é aquele que é património. Implica criar condições para a sua dignidade, promoção e transmissão, aquilo que há de ser o cante é de que o canta, criar formas de salvaguarda.

(Declarações à comunicação social)

 

 

28
Nov14

Com as mãos no ar e os punhos cerrados

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A mais conhecida palavra de ordem que em Agosto emergiu em Ferguson foi "Mãos no ar! Não disparem". Porém, à medida que o movimento amadureceu, as manifestações foram ganhando novas palavras de ordem e as mãos abertas no ar foram-se fechando. Nas manifestações de terça.feira, por exemplo, ouviu-se gritos pela subida do salário mínimo e pela liberdade sindical. Numa evidente tomada de consciência de classe, Ferguson soube distanciar-se dos tradicionais lideres afro-americanos do Partido Democrata como Jesse Jackson a Al Sharpton e decidiu construir um movimento independente, cujas principais reivindicações são sociais e económicas.

A batalha de Ferguson já não é só pela acusação de Darren Wilson*. É uma batalha pelo reconhecimento dos negros como seres humanos com direitos. É uma batalha pelo desmantelamento da secular canga das instituições que existem para manter os negros "no seu lugar". É uma batalha contra a pobreza, que empurra milhões de negros para as prisões. É uma batalha pela habitação, pela saúde e pela educação gratuitas, de qualidade e para todos. É uma batalha contra o racismo. É uma batalha de todos.

*Polícia branco que assassinou com doze tiros o jovem negro Mike Brown, de mãos no ar..

Extracto de um artigo de António Santos, que pode ser lido na integra no jornal Avante de 27/11/14.

28
Nov14

O Cante seguirá em frente com um novo vigor

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Não canto por bem cantar

Nem por boa fala ter

Canto para espalhar

As penas do meu viver

 

É assim. O Cante, geralmente está associado aos velhadas. Não foge à realidade. Foram esses Homens calejados pela dureza do trabalho que o mantiveram vivo, pesem embora as alterações que se operaram na nossa sociedade, desde logo pela mecanização da agricultura, mas depois pela destruição da agricultura, do tecido produtivo. A força de um Povo tem muita força. As novas gerações afirmam a sua determinação em manter as tradições. É esse o exemplo destes jovens. Contam com o empenho do Poder Local democrático que desenvolve um trabalho de base, nomeadamente nas escolas. O Cante está de boa saúde e recomenda-se.

 

 

27
Nov14

O Homem estava possesso

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Soares.jpg

O Mário Soares, ontem foi a Évora visitar o 44 e saiu da cela com uma tal incontinência verbal que disparou a torto e a direito, malcriadamente. Ainda vi jeitos de lhe dar um badagaio. Que, nas horas más não despreze os amigos, fica-lhe bem, mas virar o bico ao prego e ser insolente já é outra conversa.

Absolutamente lastimável.

26
Nov14

Nella Maissa, 1914-2014

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Nella Maissa-2.png

A italiana que adoptou Portugal como sua segunda pátria. Contava 100 anos, faleceu hoje em Lisboa. Ouvi entrevistas sua na Antena 2 da RDP várias entrevistas sua, a última das quais há cerca de 3 anos em que revelou uma lucidez espantosa. Tive o privilégio de assistir a alguns concertos seus, o que era sempre um prazer. Ao longo da sua extensa carreira - deu o seu último concerto já com 94 anos - empenhou-se como poucos na divulgação de compositores portugueses.

 

26
Nov14

Viva o cante, viva!

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Ó patrão dê-me um cigarro

Acabou-se-me o tabaco

O trigo que eu lanço à terra

Fumando, dá mais m saco

 

Um pouco por todo o Alentejo. Não. Um pouco por tudo quanto é sítio, sobretudo onde estejam alentejanos, a expectativa é grande quanto ao que vai a UNESCO decidir hoje. Se o cante for declarado Património Imaterial da Humanidade será uma imensa alegria. Cantarão seguramente os corais alentejanos a comemorar o acontecimento. Para qualquer português será motivo de orgulho, como foi aquando da classificação do Fado.

 

25
Nov14

O Cante está em Paris

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Maldita sociedade

Estás tão mal organizada

Quem não  trabalha tem tudo

Quem trabalha não tem nada

 

Amanhã ao fim do dia, em Paris será conhecida a decisão da UNESCO sobre a candidatura do cante a Património Imaterial da Humanidade. E em Paris está o Grupo Coral da Casa do Povo de Serpa que hoje à tarde cantou numa iniciativa da rádio ALFA, em colaboração com a RDP - Antena 1 e Internacional.

O cante é único. A sua sonoridade é única. A ligação ao trabalho e à comunidade constitui a sua essência. O cante contêm uma dimensão humana inquestionável. Cantar desta forma expressa os sentimentos mais puros da fraternidade e solidariedade, de identificação daquilo que é comum aos intervenientes.

 

25
Nov14

Lendo as obras de Leandro Martins

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Há pouco tempo publiquei uma citação do brilhante Walter Benjamim (Um acontecimento vivido é finito, ou pelo menos encerrado na esfera do vivido, ao passo que o acontecimento lembrado é sem limites, porque é apenas uma chave para tudo que veio antes e depois.) Agora, na leitura de A Face de Lado, de Leandro Martins, a páginas 48 encontro a seguinte passagem:

... o presente não existe, supomo-lo; com o passado acertamos contas pelo correr do tempo, tanto mais difíceis quanto o tempo que passou, tapeçaria desfiando-se em milhões de fibras, o restaurador correndo atrás de uma cor cuja fórmula se perdeu para sempre. No entanto, é o passado que revive e fornece as lições e as desculpas que dele se pretende extrair. Por isso, tantas faces apresenta, tantas suposições consente. O futuro é apenas o projecto que não resiste ao seu devir, metido a ridículo ao comparar-se com a realidade em que se torna antes de por sua vez se esvair no tempo.

24
Nov14

O Cante Alentejano

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Eu sou devedor à terra

A terra me está devendo

A terra paga-me em vida

Eu pago à terra em morrendo

 

O cante. O cante alentejano é a expressão maior de um Povo. O Povo trabalhador alentejano. O cante perde-se no tempo. Qualquer alentejano o ouviu na sua meninice. No meu caso, com cinco seis anos bastava andar nas ruas das tabernas - do Batatinha, do Bréu, do Ricardo da adega, do Silva, do Tonecas, etc. - e entrar não era nada difícil, e ficava embasbacado a ouvir os homens cantar, enquanto petiscavam e emborcavam copos de vinho. Não eram corais organizados (não me consta que no Escoural tenha havido algum). Simplesmente cantavam em grupo. Afinal, um alentejano nunca canta sozinho! Recordo detestar que o meu pai bebesse. Mas rendia-me à magia do cante. Poderia não ter grande qualidade, mas a musicalidade e as palavras cantadas, mesmo na minha tenra idade, criavam-me pele de galinha. Tal como hoje me continuo a emocionar com o cante.

Estamos perante a segunda tentativa para que o cante seja classificado pela UNESCO património imaterial da humanidade e, por estes dias será conhecida a decisão. Na minha modesta opinião considero ter todos os requisitos para que tal aconteça.

 

 

 

 

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