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11
Nov14

As Grades

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Um pássaro entrou na gaiola vazia

e a gaiola fechou a alegria.

Canta a gaiola de contentamento

e canta o pássaro contra as grades

mas só canta porque tem saudades

das montanhas, do sol e do vento.

Cheia de pássaro a gaiola

cantarola, cantarola,

mas o pássaro tem asas

e vai deixar a gaiola.

 

Sidónio Muralha

 

10
Nov14

Domenico Losurdo

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No passado dia 7 de Novembro fez 97 anos que triunfou a Grande Revolução Russa. Acontecimento que marcou indelevelmente o devir da humanidade. Nada apagará da História este feito da classe operária russa, pelo contrário, continuará a inspirar as lutas dos Povos. Pela sua oportunidade partilho este vídeo com as palavras esclarecedoras do italiano Domenico Losurdo, a propósito de racismo e colonialismo:

 

06
Nov14

O discurso do Raul

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Guinea-Bissau_sat.png

É o Raul personagem criada por Leandro Martins. É o Raul que já passou por aqui. Foi uma vítima da guerra colonial, na Guiné. Afinal, o 1º. sargento amigo do pai, (ou do tio?) não o safou de ir morrer na guerra, como se constata no seu discurso. E  conformou-se com a situação.

Sabes o que é que ia agora? Um uísque. Assim meio copo dos grandes, sem água, só gelo até acima. Calor do caraças. Agora ia mesmo a calhar, um gajo sentado numa esplanada, um uísque, uma miúda e tal. Se eu estivesse em casa ia lá ao bar, sem a velha dar conta, ela anda sempre a ver se eu lhe vou às garrafas. Sabes, o meu tio é que as traz, o gajo é embarcadiço, tem daquilo ao preço da chuva. (...) Uma vez até veio com uma caixa pra eu oferecer àquele sargento, lembras-te, quando foi da recruta. O sargento era conhecido do meu tio. Bem, o gajo não prometeu propriamente aquilo de eu ir para amanuense, mas foi quase a mesma coisa, deu esperanças. Afinal o cabrão mamou as garrafas e eu acabei por ir para atirador. Não deu jeito nenhum, ainda pensei que ficasse livre, tive um toque num pulmão quando era pequeno, os gânglios, percebes, a minha mãe ainda falou com o médico, mas apuraram-me. Bem, com o corpo que tenho também era difícil. Um metro e oitenta e seis, noventa quilos, tudo chicha. E depois os testes foi o caraças, sabes que o método dos gajos é americano, eles vêem logo que um gajo é bom para atirador. (...) Ainda pensei que fosse para a polícia militar por causa da altura, mas o tenente Rosa, lembras-te, o comandante lá da minha companhia, na recruta, não tu não te deves lembrar dele. Pois o gajo é que me lixou. Estou convencido que o gajo é que me lixou. Ele não grama os gajos altos, tinha complexos por ser meia-leca. Era um gajo cheio de complexos, foi dos tenentes mais beras que encontrei na tropa. Era o único que mandava a malta entrar na lama toda fardada, lembras-te daquela lagoa de lama, atrás do pinhal? Só a minha companhia é que lá entrava toda fardada.

Espera aí. Vamos beber uma gasosa. Calor do caraças, pá, estou a suar que nem um cavalo, eu cá desidrato com facilidade. Na Guiné tenho de andar sempre com aquele comprimido de sal. A não ser que aquilo não seja assim tão quente como dizem, às vezes a malta exagera. Bem, pelo menos em África pode-se beber uísque mais barato. E do bom, pá. Cerveja é que não. Faz um estômago do caraças. E a mim azeda-me, vem-me o amargo à boca, nunca me habituei à cerveja. Nem ao vinho. Vinho só do bom, um vinho francês. Uma vez bebi vinho francês numa festa em casa de um gajo com pasta. Aquilo é que era vinho. Nem o Dão se comparava. Mas não sou gajo assim de beber.

(...) Ainda o que me faz mais diferença em ir para a Guiné é a comida. Parece que às vezes se fica muito tempo isolado, fica-se a feijão. Se a malta tiver o azar de ir para uma zona onde os turras controlam vai ser tramado. No outro dia falei com um gajo que voltou de lá, diz que o PAIGC tem uma série de zonas em que a malta nem se arrisca a sair, fica no quartel meses a fio até ser rendido. É por isso que os gajos ligam tanto a este curso de minas e armadilhas, estou convencido que é por isso. Tem de se minar os acessos aos aquartelamentos e se a companhia sair tem de se ter um cuidado do caraças a picar o terreno. É claro que picar não é a malta que vai picar o terreno, isso são os soldados que vão à frente. Sabes que um gajo a picar o terreno não aguenta mais que vinte minutos? Perde a sensibilidade. Também não admira, com a tensão a que se está sujeito. A malta devia ter é como os americanos, aqueles aparelhos que detectam o metal, mas a malta não tem nada disso, resolve-se tudo com a prata da casa. E mesmo que tivéssemos esses aparelhómetros às vezes não serve de nada, já viste aquelas minas russas, já viste?, o aspirante mostrou-as a semana passada, minas de cartão forradas com alcatrão, aquilo não é detectado e se um gajo lhe enfiar o sabre, fura-as e não sente nada. O pior é que rebentam à mesma, o princípio é o mesmo.

Por acaso é pena a malta ir para a Guiné. Ainda cheguei a pensar que não era mobilizado, tive boa nota no curso, em princípio não era mobilizado, se fosse seis meses antes não era mobilizado, mas parece que aquilo em África está cada vez a aquecer mais, tanto na Guiné como em Angola e em Moçambique, aquilo está outra vez feio. Mas se um gajo fosse para Moçambique, ou para Angola, sempre há zonas em que não se entra no barulho, é só estar ali vinte e tal meses a ganhar o cacau. 

(...)

Então eu, porra: primeiro pensava que nem ia à tropa. E já têm sido livres outros, é preciso é agarrar uma cunha boa. Mas falhou. Depois foi aquilo de ir para amanuense. Falhou por um triz, disse-me o sargento, mas não sei se o gajo o que queria era mamar as garrafas de uísque. (...) O chato foi isto de ir para a Guiné. (...) Um gajo com um curso, se ficar a conhecer a matéria bem, não é assim tão mau, pá, a malta não está sempre a encalhar nas minas, isso também é conversa deles. E se um gajo levanta uma mina são logo quinhentos dele. Um gajo vê logo: ou é perigoso e rebenta-se com ela, ou então vê-se que ela não está armadilhada, levanta-se a mina e recebe-se o cacau.

Agora junta-lhe o vencimento; faz as contas: pelo menos vinte meses, um gajo tem metade da massa posta cá na metrópole. Lá não se gasta por aí  além, uns copos e tal. Então na Guiné, não há em que gastar o dinheiro.

(..)

Quando voltar da Guiné já tenho alguns planos. Compro umas coisas para a casa. O meu tio já me disse que nessa altura me arranja um emprego porreiro num  gabinete de estudos de mercado dum gajo amigo dele. Sabes, estudos sobre vendas e coisas assim, não é preciso grande especialidade, é preciso é ser esperto, aquilo um gajo faz-se depressa. O ordenado não é nada mau logo de entrada e depois um gajo sobe. Quando tiver o tal emprego e tal, caso-me. Não com aquela miúda, não, acabei com aquilo. Logo se vê. Não, a malta não se dava mal, eu é que não quero um par de cornos. Tu desculpa, és casado, mas isso, é claro, é diferente, um casal é diferente, embora haja casos, bem, isso depende das pessoas, claro. Mas agora um gajo não é casado, percebes, passam dois anos, um gajo sabe-se lá como é que vem. E a miúda não vai ficar aí às moscas. Se fosse casado era diferente, mas eu não ia agora casar-me antes de ir. 

05
Nov14

Paul Craig Roberts denúncia uma prática que o comum do cidadão só associava ao nazismo

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Americanos desinformados e crédulos responderão: "o governo dos EUA nunca utilizaria os seus próprios soldados e os seus próprios cidadãos como cobaias (guinea pigs). Antes de se fazer de bobo, aguarde um momento para recordar os muitos experimentos que o governo dos EUA efectuou sobre soldados e cidadãos americanos. Por exemplo, investigue online por "experimentação humana não ética nos Estados Unidos" (Unethical human experimentation in the united states) ou "experimentos de radiação humana" (human radiation experiments) e descobrirá que Agências Federais tais como o Departamento de Defesa e a Comissão de Energia Atómica fizeram: expuseram prisioneiros e soldados dos EUA a altos níveis de radiação; irradiaram os testículos de homens e testaram defeitos de nascimento (o que resultou em altas taxas); irradiaram as cabeças de crianças; alimentaram com material radioactivo crianças mentalmente deficientes.

O texto completo pode ser lido em http://resistir.info/.

Lê-se uma coisa destas e fica-se siderado! Li montanhas de coisas sobre práticas levadas a efeito durante o regime nazi e jamais me passou pela cabeça que tais procedimentos fossem praticados fora daquele regime. Como estava enganado. O que Craig refere é coisa feita num país que prega os direitos humanos. Que não respeitam os direitos humanos, nem sequer dos seus cidadãos, só não vê quem não quer ver. Mas chegar a estes limites, até eu não admitia. E, afinal!

04
Nov14

Mas que escandaleira!

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durão barroso.jpg

O ex-maoista e actual PSD Durão Barroso agora que saiu da comissão europeia vai auferir uma pensão vitalícia mensal de onze mil euros mais um salário extra de vinte cinco mil euros acrescida de pagamento de despesas de deslocação e a coroar tudo isto receberá ainda um subsídio de reintegração que se situará entre cento e vinte e dois mil e duzentos mil euros por ano durante três anos ponto final

E, nós, os portugueses trabalhadores no activo, ou reformados, é que vivemos acima das nossas possibilidades... 

 

 

03
Nov14

Citação

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Foi através do modelo de Stáline de duas escalas de preços que nos apoiamos nos ombros do modo de produção capitalista que nos antecedeu. Tomámos dele tudo o que era de melhor (o pior, naturalmente, rejeitámo-lo) e essa parte melhor, retirada de um elo produtivo particular (as corporações) generalizámo-la a toda a economia nacional.

Tatiana Khabarova

02
Nov14

Dá-me a tua mão

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Dá-me a tua mão.

Deixa que a minha solidão

prolongue mais a tua

- para aqui os dois de mãos dadas

nas noites estreladas,

a ver os fantasmas a dançar na lua.

Dá-me a tua mão, companheira,

até ao abismo da Ternura Derradeira.

 

José Gomes Ferreira

Pág. 3/3

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