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09
Abr15

Os segredos da censura

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A propósito do livro Os Segredos da Censura, de César Príncipe, o ex-furriel miliciano Manual Joaquim escreveu um interessante artigo publicado no blog luis graça e camaradas da guine, não há muito tempo, Para além das esclarecedoras considerações gerais sobre o livro de C.P., a área de particular interesse do ex-militar é a censura exercida pelos coronéis da tenebrosa Comissão de censura às notícias sobre guerra e, particularmente sobre a "nossa" guerra em Angola, Guiné e Moçambique. Aconselho a visita àquele blog para leitura do texto de Manual Joaquim.

A título de exemplo veja-se esta passagem transcrita no artigo:

“Quanto aos acontecimentos na Niassalândia (Moçambique), eliminar as estatísticas que as Agências estão fazendo do total de mortos e feridos. CORTAR todas as notícias relativas a violências executadas sobre os pretos pelos brancos. Não dar publicidade às atitudes anti-nativas das tropas locais europeias na repressão da revolta. Não dar notícias sobre tiroteio ou fogo aberto sobre multidões a fim de evitar especulações. Não há inconveniente em que se relatem violências exercidas pelos negros sobre os brancos nem que se diga que os motins são instigados pelos comunistas”.

Isto era o  permitido aos orgãos de informação publicar. É uma passagem lapidar da informação que chegava aos portugueses, num regime que imperou durante 48 anos.

Um aparte: E hoje? Não há censura oficial. Mas, há outro tipo de censura descarada, decidida pelos donos dos OCS. Não publicar notícia de uma realização, que importa silenciar, é censura. Nos tempos que correm, é o pão-nosso-de-cada-dia.

08
Abr15

Outras coisas do tempo da outra senhora

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Estávamos em 1973 no mês de Novembro. A poucos meses do 25 de Abril. Reinava Marcelo Caetano. Com ele o nome de muitas coisas havia mudado - a comissão de censura passou a chamar-se de comissão de exame prévio - mas continuava tudo como dantes: a PIDE que passou a chamar-se DGS prendia indiscriminadamente e torturava, a Censura, com os mesmos coronéis censores cumpria escrupulosamente a sua função, etc.

Os trabalhadores da CNN - Companhia Nacional de Navegação, organizados no seu Grupo Cultural e Desportivo desenvolviam a sua diversificada actividade, mas esbarravam com os entraves da Censura, que proibiu a representação da peça de teatro Vítimas do Dever, de Eugène Ionesco. Proibição que era válida para  Portugal continental e Insular (Açores e Madeira). Portanto, os censores deixaram de fora as "nossas" províncias ultramarinas.

Só depois de 25 de Abril de 1974 o Grupo Cultural e Desportivo da CNN pode representar a referida peça e publicar o folheto de que constam os exemplos acima publicados. 

 

07
Abr15

O centenário de Billie Holiday

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A 7 de Abril de 1915 nasceu em Filadélfia uma as mais brilhantes Divas do jazz - Billie Holiday. Viria a falecer precocemente em Nova Iorque a 17 de Julho de 1959- Viveu uma vida sofrida (extrema pobreza, discriminação racial, abusada sexualmente aos 10 anos, prostituição ao 14) antes de atingir o estrelato e cantar com a fina flor jazzística. Já na idade adulta não soube evitar as situações extremas -  caiu no alcoolismo e consumo de drogas que a levariam à morte. Faria hoje 100 anos. Deixou-nos as suas muitas gravações. Recordemos a sua rouca e sensual voz numa canção emblemática, com poema de Abel Meeropol em que denuncia os linchamentos de negros ( nada mais actual, na América do senhor Obama...).

 

Estranho Fruto

As árvores do Sul estão carregadas com um estranho fruto,

Sangue nas folhas e sangue na raiz,
Um corpo negro balançando na brisa sulista
Um estranho fruto pendurado nos álamos.

Uma cena pastoral no galante Sul,
Os olhos esbugalhados e a boca torcida,
Perfume de magnólia doce e fresca,
Então o repentino cheiro de carne queimada!

Aqui está o fruto para os corvos arrancarem,
Para a chuva recolher, para o vento sugar,
Para o sol apodrecer, para as árvores fazer cair,
Aqui está uma estranha e amarga colheita.

 

06
Abr15

Do tempo da outra senhora

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Este é um verbete  respeitante ao recenseamento eleitoral realizado em 1960. Depreende-se ser da freguesia de Alcochete.

É dedicado ao cidadão Constantino Pinto Rodrigues, residente em Alcochete, casado, de 35 anos e com a profissão de Proprietário. Inscreveu-se no recenseamento com base na Lei 2015 - artº. 1º. nº. 2. Nas NOTAS, reza assim: Não inscrito pela U.N. Eliminado em 1961 - Não merece confiança.

E era assim que as coisas se passavam!

U.N. corresponde a União Nacional, único partido existente legalmente no salazarismo e que, após a substituição de Oliveira Salazar por Marcelo Caetano,  veio a mudar de nome para ANP - Acção Nacional Popular. Ou seja, mudaram alguns nomes para que tudo continuasse na mesma. 

04
Abr15

Rusalka, de novo.

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A canção da Lua, da ópera Rusalka, de Antonin Dvorak, é repetente neste espaço. A sua beleza leva-me a escutá-la recorrentemente. Hoje, o chamado pelos cristãos sábado de aleluia, passei inúmeras interpretações, todas fabulosas independentemente o timbre de voz da interprete. Fiquei particularmente maravilhado com as sopranos norte-americanas Leontyne Price e Frederica von Stade, mais a leitura do maestro Seij Ozawa.

 

 

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