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05
Mai15

O cerco de Leninegrado

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Leninegrado cercada.jpg

A propósito da evocação do fim da segunda guerra mundial, há 70 anos, recordo o cerco a Leninegrado - antes Petrogrado e ainda antes e de novo agora S. Petersburgo -. que durou 900 dias, entre Setembro de 1941 e Janeiro de 1944.

A resistência do povo da cidade  constitui uma epopeia inesquecível! O povo heróico de Leninegrado, lado a lado com os soldados, durante o cerco derrotaram 50 divisões alemãs! Tudo teve que ser reinventado para defender a cidade e sobreviver!

Leninegrado 2.jpg

 

Foram construídos milhares de quilómetros de trincheiras e barricadas. As mulheres e as crianças substituíram os homens nas fábricas e nas tarefas de manutenção da cidade. Essas mesmas mulheres que ainda davam o seu contributo pegando em armas e combatendo de armas na mão. O canhão do célebre cruzador Aurora (peça simbólica de museu) foi de novo posto ao serviço.

Leninegrado 3.jpg

Um rigoroso racionamento de alimentos (a que se seguiram outros mais rigorosos) teve de ser adoptado. As rações dos cavalos (que passaram a ser alimentados com as folhas das árvores) foram utilizadas para alimentação humana e os jardins foram transformados em hortas. Quando já não havia outras fontes de energia, passaram a recorrer ao corte das árvores das avenidas e parques da cidade. Estima-se que próximo de 1.5 milhões de pessoas perderam a vida em consequência dos bombardeamentos, da fome, do frio e do cansaço. Todos são homenageados no cemitério/Memorial de Piskarevo, local onde foram sendo enterrados em valas comuns. Já visitei este memorial que, inevitavelmente, provoca um sentimento arrepiante.

Memorial de Piskarevo.jpg

Entre a população leninegradense estava o compositor Dmitri Shostakovich, que participou activamente na defesa da cidade, nomeadamente como bombeiro. Foi na sua cidade cercada que compôs a célebre sétima sinfonia, Leninegrado, obra emblemática que exalta a corajosa resistência da cidade ao cerco pelos exércitos nazis.

 

04
Mai15

A Água

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Não. Não, hoje não vou  falar da água enquanto bem vital à vida; não vou falar da água um bem comum  um bem de todos que não pode passar a ser apenas de alguns; não vou falar da luta necessária de todos à escala planetária para defender a água pública. Não falar da necessidade de usar a água com parcimónia; Hoje vou dar a palavra a Bocage - Manuel Maria Barbosa du Bocage - esse grande mestre na utilização do verbo, que cantou a água de forma magistral, ainda que obscenamente. Bocage foi assim. Não abdicou da linguagem desbragada quando entendeu que o devia fazer. Por isso, aquelas almas mais sensíveis poderão ficar chocadas com os "palavrões" de Elmano sadino. As essas pessoas resta desistirem de ler e ouvir o poema de Bocage sobre A Água.

Meus senhores eu sou a água,

que lava a cara, que lava os olhos

que lava a rata e os entrefolhos

que lava a nabiça e os agriões

que lava a piça e os colhões

que lava as damas e o que está vago

pois lava as mamas e por onde cago.

 

Meus senhores aqui está a água

que rega a salsa e o rabanete

que lava a língua a quem faz minete

que lava o chibo mesmo da rasca

tira o cheiro a bacalhau da lasca

que bebe o homem que bebe o cão

que lava a cona e o berbigão.

 

Meus senhores aqui está a água

que lava os olhos e os grelinhos

que lava a cona e os paninhos

que lava o sangue das grandes lutas

que lava sérias e lava putas

apaga o lume e o borralho

e que lava as gelras ao caralho

 

Meus senhores aqui está a água

que rega as rosas e os manjericos

que lava o bidé lava os penicos

tira mau cheiro das algibeiras

dá de beber às fressureiras

lava a tromba a qualquer fantoche e

lava a boca depois de um broche.

 

02
Mai15

Manoel de Oliveira

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manoel-de-oliveira.jpg

Há um mês - 2 de Abril - morreu o grande mestre do cinema. Depois de viver uma vida cheia e multifacetada. Creio já ter sido dito tudo sobre esta figura ímpar da cultura portuguesa. Evoco hoje a sua obra com o seu mítico Aniki Bóbó:

 

01
Mai15

Lembrar Arturo Toscanini e A Internacional em Dia 1º. de Maio

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O lendário maestro italiano Arturo Toscanini, refugiado no continente americano, em consequência do fascismo no seu país, dirigiu, e cantou, A Internacional, com a Orquestra Sinfónica da NBC e o Coro de Westminister. Vale a pena dizer que,  durante a vigência do McCarthismo (a chamada caça às bruxas), A Internacional foi amputada desta gravação, e, durante muito tempo foram permitidas apenas as outras peças da gravação.

 

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