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25
Jun16

Baptista-Bastos e Manuel da Fonseca

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Meu amor, meu amor

meu amor eu e tu

meu amor, o amor

é o nu contra o nu

 

"Ela perguntou-lhe: Conheceste-o? A quem? Ao Manuel da Fonseca. Era um grande amigo do meu pai. Procuravam descobrir a lógica das coisas. Conheci-o bem. Um homem divertido, porém um pouco triste."

 

Excerto de uma pequena (grande) crónica do Baptista-Bastos, publicada na última edição da revista Montepio, em que evoca esse grande escritor e poeta Manuel da Fonseca. O poema foi cantado por Adriano Correia de Oliveira, gravado no ano de 1975.

 

23
Jun16

José Adelino dos Santos

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José Adelino dos Santos.jpg

No dia 23 de Junho de 1958 - em pleno rescaldo da grande jornada que havia sido a campanha eleitoral do General Humberto Delgado - em Montemor foi assassinado pela GNR, José Adelino dos Santos. O seu crime foi estar numa concentração de trabalhadores rurais - cerca de 700 - frente à Câmara Municipal reclamando trabalho e pão.

Face à impressionante mobilização da população (mais de duas mil pessoas) para participarem no seu funeral, as autoridades fascistas determinaram levar o corpo para o Escoural em cujo cemitério o enterrariam, intento que foi descoberto e contou com a determinante oposição e vigilância da população, fracassando a manobra e realizando-se o funeral e enterramento em Montemor.

digitalizar0003.jpg

 

digitalizar0002.jpg

 

15
Jun16

Fernando Farinha

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Fernando Farinha.jpg

Sobre este fadista, desde 01 de Junho,  está uma exposição com título "A Voz mais portuguesa de Portugal" - título este de um concurso que Farinha ganhou - no espaço Santa Catarina do palácio Cabral, à Calçada do Combro, em Lisboa.

Para além de fadista, com uma voz de excepção, foi igualmente compositor e ainda caricaturista, actividades menos conhecidas.

Foi uma estrela no mundo do fado. Cantou um pouco por todo o lado, no país e no estrangeiro. Foi uma estrela que não se deixou ofuscar pelo brilho. De origem humilde, natural do Barreiro e cedo residente no Bairro da Bica (daí ter ficado conhecido por "miúdo da Bica") em Lisboa, manteve intacta a sua origem de classe, a sua identidade com o mundo do trabalho.

 

13
Jun16

13 de Junho 2005 - a morte de dois grandes cidadãos

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Álvaro Cunhal.jpg

 

eugenio de andrade.jpg

O dia 13 de Junho de 2005 foi implacável. Levou duas figuras ímpares da vida nacional: Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade.

Álvaro Cunhal deixou marcas indeléveis na política nacional e internacional e (com o pseudónimo de Manuel Tiago) uma criação impressiva na literatura a nas artes plásticas.

Eugénio de Andrade, um Homem comprometido com o seu Povo e um poeta maior, como tal celebrado pelos seus contemporâneos e, continuará a ser celebrado ao longo do tempo pelas gerações que hão-de vir.

O século 20 não é, como proclamam alguns, o século da morte do comunismo, mas o século em que o comunismo nasceu.

Álvaro Cunhal

 

Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.
Quem conheça o sul e a sua transparência
também sabe que no verão pelas veredas
da cal a crispação da sombra caminha devagar.
De tanta palavra que disseste algumas
se perdiam, outras duram ainda, são lume
breve arado ceia de pobre roupa remendada.
Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão
era morada e instrumento de alegria.
Esse eras tu: inclinação da água. Na margem
vento areias mastros lábios, tudo ardia.

(O comum da terra, para Vasco Gonçalves, de Eugénio de Andrade)

 

09
Jun16

Manuel da Fonseca

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Manuel da Fonseca.jpe

Junto das ondas do mar

na ponta dos pés erguida

joga os braços para o ar.

E a senhora presumida que está na praia a bordar

julga-me a espreguiçar, mas não!

É o sol, a areia e o mar

que me dão vontade de dançar.

 

No final da década de trinta do século XX, Manuel da Fonseca frequentou os banhos quentes que funcionavam junto da praia de Sines. Na casa onde estava alojado era habitual o convívio com a família anfitriã. Certo dia, enquanto cavaqueava - era um deslumbrante comunicador - fez um desenho duma anda do mar e uma mulher, acrescentando-lhe o poema acima.

Américo Leal, da família anfitriã, então adolescente e um dos presentes conseguiu decorara o poema não o esquecendo até hoje e, numa recente conversa sobre poesia disse-o para mim e descreveu as circunstâncias em que foi escrito.

Estou convencido tratar-se de um poema inédito do grande autor, romancista e poeta, Manuel da Fonseca.

banhos quentes de sines.jpg

praia de Sines.jpe

 

04
Jun16

A propósito de racismo

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É um problema de sempre, não tem fim. Conheço um músico negro norte-americano que vive em Sines e dá aulas de jazz, que viaja muito. Um dia tive a coragem de lhe perguntar em que país é que não sentiu o racismo. "Em nenhum", respondeu. Pode até ser em pequenas coisas e quase nem se dá por elas, mas estão lá.

 

Estas palavras foram ditas por José Duarte, um Homem do jazz, autor do programa cinco minutos de jazz, o programa mais antigo da rádio em Portugal, que está a comemorar este ano 50 anos de existência. Reproduzo aqui as palavras de José Duarte depois de episódios de racismo que envolvem dois craques do futebol (logo eu que até nem "sofro" da bola e apenas tento manter-me minimamente informado, a falar de craques!), no  caso Renato Sanches e Ricardo Quaresma. Um preto outro cigano. O que vi recentemente na televisão sobre o Renato Sanches e o que acabo de ouvir ao Ricardo Quaresma, também na televisão envergonha-me enquanto ser humano. Quando é que a humanidade supera uma das coisas mais aberrantes, o racismo?

Renato Sanches.jpg

Ricardo Quaresma.jpg

 

02
Jun16

Vaidade

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O cantar alentejano 

tem o seu quê de vaidoso

ao juntar na mesma moda

homem velho e rapaz novo

 

Homem velho e rapaz novo

a cantar de mano a mano

tem o seu quê de vaidoso

o cantar alentejano.

 

Jacinto José Carlos Guerreiro

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