Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

divagares

divagares

31
Jan17

...

divagares

040_fnF. Namora.jpg

Homens da terra e do mar,

duros, de dentes vidrados,

gritando o futuro

e sempre crescendo;

- quem me pôs à frente da guerra,

ébrio de uma luta

que não aprendo?

Fernando Namora, médico escritor e poeta, falecido faz hoje 28 anos. Um importante autor neo-realista, actualmente, injustamente, um pouco esquecido.

20
Jan17

Américo Leal - 95 anos de vida e luta, celebrados hoje!

divagares

O Américo Leal é uma força da natureza!

Faz hoje 95 anos! Tem um longo passado, como disse a Margarida Botelho   "com uma vida cheia".

Entrou no mercado de trabalho na pré-adolescência como operarário corticeiro na sua terra, Sines. Abraça as grandes causas da luta pela liberdade, pela justiça social e pela paz. Bandeiras que ergue sem vacilações até hoje e continuará a caminhada até que a vida lhe permita. Ânimo não lhe falta.

De facto está empenhado nessa jornada, a tempo inteiro, desde 1944, ano em que adere ao seu Partido. Antes foi activista sindical e participou em todas as acções reivindicativas locais na sua terra e, protagonizou um acto generoso, só próprio dos Grandes Homens: tentou alistar na embaixada inglesa, como voluntário, para ir combater nas forças aliadas na segunda guerra mundial, o que teve como consequência a sua prisão pela PIDE à saida daquela embaixada. Os seus amigos e camaradas, os seus filhos, netos e bisnetos que enchemos o r/cdo CT de Setúbal do PCP,num almoço comemorativo do seu aniversário, que culminou com o Américo a desafiar os presentes a acompanharem-no a cantar a bela canção de Lopes-Graça, Vozes ao alto. Emocionante.

Trabalha actualmente num novo livro a publicar proximamente.

Hoje juntámo-nos,muitos d

IMGP5731.JPG

IMGP5728.JPG

IMGP5732.JPG

 

08
Jan17

António Tereso, 1928 - 2017

divagares

 

«Foi com sacrifício que aceitei a tarefa de “rachar”. Foi o que mais me custou na vida», afirmou, visivelmente emocionado, António Tereso. Por indicação de José Magro, viveu juntamente com o inimigo durante dezanove meses. O objectivo era encontrar uma hipótese de fuga.

A ruptura com os seus camaradas – de que apenas um pequeno número de dirigentes sabia tratar-se de uma encenação – deu-se durante um almoço.

«Atirei com um prato de arroz à cara de um preso, mas ele, em vez de se virar a mim, começou-se a rir, o que me dificultou a tarefa.» De rompante, começou a esmurrar a porta gritando que queria sair daquela sala. Dezanove dias depois mudou-se para a «sala dos trabalhos». Até conseguir a transferência, ficou na sala com os seus camaradas. Esses dias, recordou, foram «muito difíceis».

«Eram todos meus amigos», confessou.

Começava assim o seu percurso de «rachado», ao serviço dos carcereiros. Tereso contou como conseguiu ganhar a confiança dos inimigos. Havia que esperar que «eles precisassem de nós. Foi essa a minha vitória». «Um dia chego ao pé do director, o Gomes da Silva, e disse-lhe: se precisar do carro lavado, eu lavo-lhe o carro», recorda António Tereso. O director concordou. Antes de trabalhar como motorista da Carris tinha lavado carros e fazia aquilo bem. «Ficou muito contente e ganhei um cliente», ironizou.

A confiança que ganhou foi tanta que chegou a conduzir o director fora da prisão e este deu-lhe permissão para ir ao seu gabinete sempre que necessário. Daí para a frente, recordou, os «carcereiros quando queriam alguma coisa vinham ter comigo para eu ir ver ao gabinete do director se ele estava lá. Eu tinha esta liberdade toda».

Também o guarda Lourenço, um PIDE reformado, foi conquistado pelo falso «rachado». Numa ocasião, ao lavar o seu carro, Tereso encontra um pequeno coração de ouro. «Depois de lhe lavar o carro, devolvo-lhe o coraçãozinho. Ele respondeu: “há dois anos que procurava isso, é da minha netinha”.». Após contar à mulher o sucedido, esta responde: «esse homem é sério demais para estar preso.»

A confiança era tanta que lhe é oferecido um lugar como motorista da PIDE, a ganhar 1 500 escudos. Tereso comunica o sucedido ao Partido. A resposta, recorda, foi «não há fuga para ninguém, agarra-me isso com as duas mãos». Faltavam três meses para sair em liberdade…

Um dia, passeava com o director pela prisão e depara-se com o carro, estacionado numa garagem. O desafio vem do próprio responsável da cadeia. «Há-de me pôr este carro a trabalhar», disse-lhe. «Quando ele me diz isso, eu esqueci os meses e a liberdade, esqueci tudo», lembrou. Nessa noite, comunicou ao Partido: temos fuga!

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D