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06
Jun09

JOSEPF HAYDN (1732 - 1809)

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Decorrem este ano as comemorações dos 200 anos da morte de Haydn. Sempre me causou muita confusão fazerem-se comemorações da morte de alguém. Mas, não serei eu a propor-me "boicotar" essas comemorações que decorrem no âmbito planetário.

Incluo-me entre os seus admiradores. Haydn compôs praticamente toda a sua vida, deixando-nos uma vastíssima e notável obra - sinfonias (104), oratórias, missas, óperas, muita música de câmara.

Figura maior do classicismo, foi sem dúvida na sua época o músico mais influente. Há quem lhe chame o pai da sinfonia, Mas sobre isso, António Cartaxo (Ao Sabor da Música) esclarece que "não é criação de Haydn, mas foi ele o organizador da herança dos seus antecessores". Ou seja, situa Haydn na sua época, longe, muito longe de colossos como a nona de Beethoven ou a oitava de Mahler.

Fernando Lopes-Graça (Opúsculos 1), ao analisar a magistral contribuição de Haydn na História da Música, considerando o período que o separa de Bach e Haendel, em que se experimentaram inovações, reformas e princípios, "vieram a cristalizar na obra de um músico que sintetiza admiravelmente toda a efervescência criadora dessa época" e António Vitorino D'Almeida (Música e Variações) afirma que "Haydn é um dos mais eficazes revolucionadores da História da Música".

Rezam as crónicas que Haydn, de origem humilde e provinciana, sempre viveu alheado da vida intelectual e mundana; que esteve à beira de ser castrado aquando da mudança de voz, não fora a providencial chegada do seu pai a Viena; que tinha sentido de justiça, consciência de classe e um bom trato com os seus músicos; que teve dificuldades de relacionamento com Beethoven e o contrário com Mozart; que tinha sentido de humor e parece mesmo, alguns rasgos de irreverência e mordacidade - atente-se ao significado da sua sinfonia do  Adeus, em que os músicos, vão saindo acabando a obra com um único executante.

A propósito da sinfonia do Adeus, a saida, um a um, dos músicos, foi uma forma de Haydn, solidário com os seus músicos, expor ao príncipe seu patrão a insatisfação daqueles com o constante e prolongado afastamento das suas esposas. Segundo António Vitorino D'Almeida, essa insatisfação não era partilhada por Haydn, já que esse afastamento facilitava o não ter que aturar a chata da sua esposa, a quem costumava chamar "a besta do inferno".

Execrável foi o roubo do crânio de Haydn após ser sepultado, por supostos motivos ciêntificos - pretendia-se estudar o cérebro de uma figura genial! Tal decapitação do cadávere só veio a ser descoberta 11 anos depois, quando se efectuou a trasladação dos restos mortais, numa homenagem do seu antigo patrão. O crânio andou em bolandas de um possuidor para outro, até que em 1954 é entregue ao Conservatório de Viena. Mas não ficou por aqui, já que foi depois levado à sua Terra Natal - Rohrau - e daí para Eisenstadt a juntar-se ao resto do esqueleto.

Simplesmente mórbido!

Pessoalmente já assisti a vários concertos com obras de Haydn. Destaco a sinfonia do Adeus que teve lugar na nave da igreja de S.Julião, em Setúbal, e a Oratória As Estações, na leitura soberba de John Gardiner, não há muito tempo, na Gulbenkian, tendo como fundo por detrás da orquestra o deslumbrante jardim, que lhe deu um toque encantatório.

 

 

 

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