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30
Jul13

Serra da Arrábida

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A Serra da Arrábida iniciou a sua formação há cerca de 250 milhões de anos, na era Mesozóica, resultante do choque entre as placas africana e eurásica que deu igualmente origem à formação do Mar Mediterrâneo, num processo longo, de centenas de milhões de anos, sendo que, tal como a conhecemos hoje, só viria a fixar-se há cerca de 20 milhões de anos, no Miocénico.

 

O que vulgarmente se designa de Serra da Arrábida, consiste numa cadeia montanhosa, cujo ponto mais alto atinge os 501 metros(no alto do formosinho), que se estende do Cabo Espichel até Palmela. Esta cadeia compreende as Serras do Risco, Arrábida, S. Luís, Gaiteiros  e S. Francisco. Situa-se na parte ocidental do continente europeu, na Península de Setúbal, concelhos de Palmela, Sesimbra e Setúbal.

 

Constitui uma linha de costa - a Sul com a foz do Sado e a Oeste e Sudoeste com o Oceano Atlântico - riquíssima em biodiversidade, com trechos escarpados esplendorosos e praias paradisíacas de areias claras. O chamado mar da Arrábida foi classificado como Parque Marinho Luíz Saldanha.

 

A presença humana está referenciada como tendo ocorrido há cerca de 500 mil anos. Há um elevado número de grutas ao longo da costa que foram utilizadas como refúgio, como santuário, como necrópole. E há grutas de uma beleza exuberante. Foram encontrados restos humanos do Homem de Neandertal (50 mil anos). A Serra foi refúgio e retiro místico de comunidades religiosas. Foi usada como atalaia em diferentes momentos da história, dispondo de importantes construções militares - castelos de Palmela e Sesimbra e forte de S. Filipe.

 

A Arrábida beneficia de um microclima mediterrânico que favorece uma actividade primária com resultado em produtos de alta qualidade e sendo determinante para a existência de uma flora diversificada, luxuriante, única no país.

 

A actual fauna da Arrábida é ainda rica de diversidade, estão identificados a raposa, a lebre, o coelho, o gato-bravo, o texugo, o toirão, o geneto, colónias de morcegos, a águia de bonelli, o bufo real, o andorinhão real, o falcão peregrino, a perdiz e uma infinidade de outras aves e insectos. Do passado restam marcas - pegadas - de dinossáurios e vestígios da sua condição gregária.

 

A Brecha da Arrábida - popularmente designada mármore da Arrábida - é uma rocha sedimentar detrítica de arenacias consolidadas, algo porosa, de cor rosada e rara beleza. Existe exclusivamente na Serra da Arrábida. Foi extraída em abundância e utilizada em muitas construções na região de Setúbal e em mobiliário doméstico. A sua extracção está interdita desde 1976.

 

Em presença de toda esta realidade, que importava preservar, foi criado por decreto-lei, em 1976, o Parque Natural da Arrábida. Passou a ser uma zona protegida, havendo mesmo algumas matas com acesso interdito. No seu perímetro, de 10.800 hectares, têm origem alguns produtos requintados como o afamado queijo de Azeitão, o generoso moscatel de Setúbal e soberbos vinhos de mesa. Em tempos muito recuados, os monges da Arrábida criaram um licor que baptizaram de Arrabidine que, suponho, ainda hoje é artesanalmente fabricado.

 

Neste contexto - de riqueza natural, patrimonial e espiritual - reveste-se da maior importância a sua classificação como Património Mundial.

 

Escarpa do Cabo Espichel

Rosa albardeira - a única vez que vi esta delicada flor, foi numa caminhada pela Serra da Arrábida

Superfície polida de Brecha da Arrábida

Gruta com lago

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