Centenário da Republica
Neste ano do centenário da Republica, neste espaço abordei a efeméride mais que uma vez (e já agora, abordei também um outro centenário, o da Revolução Mexicana). Com o findar do ano, terminam as comemorações. Pela minha parte assinalo este "fim" com um poema, de autor não identificado, que ilustra com limpidez o papel de cada um na batalha decisiva que conduziu à vitória de Republica e a parte que, a seguir à vítória calhou a cada um:
Canção de um "pé descalço" anónimo
Bati-me lá na Rotunda
Heroi eles me chamaram
Pouco tempo decorrido
Nesta prisão me encerraram
Meu coração abrasava
De amor pela Democracia
Odiando a Monarquia
Que tanto mal nos causava
A hora da luta esperava
Quando o peito se m'inunda
Duma alegria profunda
Ao ouvir dar o sinal
Desde o começo ao final
Bati-me lá na Rotunda
Do Povo o sangue correu
Assim como o dos soldados
Os chefes, esses, coitados
Nenhum deles apareceu
Quando o inimigo cedeu
É que ao Povo se mostraram
Foi então que proclamaram
Essa coisa da "Republica"
E ante a opinião pública
Heroi eles me chamaram
Fui heroi porque esqueci
Meu dever de escravizado
Descalço, roto, esfaimado
Os bancos eu defendi
Bem cedo me arrependi
Desse acto ter cometido
Com os doutores eu estava
Mas sem ilusões ficava
Pouco tempo decorrido
Com a "revolução" quem lucrou
Foram Camachos e Costas
Todos têm postos e "postas"
O Povo nada ganhou
Do antigo nada mudou
Só p'ra pior aumentaram
Reclamando seriedade
E em nome da Liberdade
Nesta prisão me encerraram.


