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15
Jan15

Orientalismo

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orientalismo_0595352001293646249.png

Estou a ler Orientalismo, de Edward Said. Estou a considerar estimulante este exercício de leitura. Leitura que me impõe muita concentração para apreender o pensamento do autor. Na verdade esta é a minha forma de ler, qualquer que seja a matéria. Esta obra constitui um aprofundado trabalho da responsabilidade de um académico, que, não só nos apresenta brilhantemente uma fluência de escrita, os seus raciocínios e conceitos, como "penetra" nas obras de uma infinidade de autores orientalistas das várias épocas, sempre partindo de uma apreciação crítica, e apresenta-nos as teses destes.

Um dos objectivos do autor é deixar claro que, através dos tempos, o pensamento dos orientalistas foi, regra geral, substrato do colonialismo do Ocidente " "humano" e "civilizado" (Espero conseguir mostrar a enorme estrutura de domínio cultural e, especificamente para os povos inicialmente colonizados, os perigos e tentações que o emprego desta estrutura comporta para si próprios e para os outros).  Decorrias algumas décadas do seu lançamento, a obra permanece actual.

Said é um oriental (palestiniano) que foi educado no lado ocidental do mundo (EUA), um professor universitário prestigiado e respeitado, que nem por isso deixou de sentir a diferença, já que sempre assumiu a sua militância palestiniana. Afinal, sempre foi visto como o "outro" (o estorvo, nas suas palavras) embora reconheça que: Apesar de todos os defeitos e problemas, já muitas vezes apontados, a universidade americana ainda permanece um dos poucos lugares dos Estados Unidos onde a reflexão e o estudo podem ter lugar de um modo quase utópico.

Antes de "entrar" neste livro, conhecia apenas vagamente a personalidade de Edward Said, concretamente, o seu empenhamento na causa palestiniana e o empreendimento que levou a cabo com o maestro Daniel Barenboim (judeu) no domínio da música: a criação da Orquestra do Divan Leste Oeste, um projecto de Paz em que a música é o pretexto para juntar árabes e judeus, já com mais de uma dezena de anos de existência e prosseguido pelo maestro após a morte de Said.

 

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